Inadimplência é maior entre jovens, homens e atrelada a roupas e calçados, diz pesquisa
A inadimplência cresce entre os mais jovens. Vai a 15,77% no grupo de 18 a 25 anos e a 11,88% na faixa de 26 a 35 anos
12:42 | Jan. 19, 2026
Pesquisa do Meu Crediário destaca "fortes oscilações" da inadimplência durante 2025, mantendo nível elevado, acima do ano anterior, mas mais "saudável" em comparação com 2023. Segundo o sistema de gestão de crédito, criado há dez anos, o período foi "marcado por recuperação parcial, novo avanço e pressão contínua sobre o orçamento das famílias".
Em dezembro, por exemplo, o Índice de Inadimplência (que contempla compras realizadas há pelo menos 90 dias) fechou em 8,58%, ante 7,72% em igual período do ano anterior – e 10,02% em 2023. "O comportamento de 2025 revela um ciclo clássico de recuperação curta seguida por nova pressão", afirmou o CEO do Meu Crediário, Jeison Schneider.
De acordo com o indicador, a inadimplência oscilou quase 3 pontos percentuais ao longo do ano passado: variou de 6,74% (fevereiro) a 9,7% (junho).
"O crédito voltou a crescer, mas sem um reforço proporcional da renda e da capacidade de pagamento", disse o executivo. No último trimestre de 2025, a inadimplência média foi de 8,44%, também acima do ano anterior (7,32%) e abaixo de igual período de 2023 (9,30%).
Entre os setores de atividade, o de Roupas&Calçados teve o maior índice no último mês do ano passado: 9,56%.
Em seguida, o segmento de Óticas registrou 8,52%, enquanto Móveis&Eletrodomésticos teve 7,07%. "O padrão reforça que categorias associadas a compras recorrentes ou por impulso tendem a concentrar mais atrasos do que bens duráveis", disse. Isso exige, segundo ele, "políticas de crédito e cobrança mais segmentadas".
A inadimplência cresce entre os mais jovens. Vai a 15,77% no grupo de 18 a 25 anos e a 11,88% na faixa de 26 a 35 anos. E começa a cair a partir daí: 8,47% de 36 a 50, 5,67% de 51 a 65 e 5,55% acima de 66 anos. "O dado reforça a maior vulnerabilidade dos jovens ao crédito parcelado, menor reserva financeira e maior exposição a oscilações econômicas." Também é maior entre homens (10,43% em dezembro) do que entre mulheres (8,01%). "O comportamento se manteve consistente ao longo do ano, indicando perfis distintos de consumo, acesso ao crédito e disciplina financeira." Para o Meu Crediário, o crédito em 2026 "precisa ser mais dinâmico, preditivo e responsável".
ENDIVIDAMENTO – Outro levantamento, este da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), também mostra alta da inadimplência. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o nível de endividamento de dezembro (78,9%) foi o maior para o mês na série histórica, iniciada em 2010. Em relação a dezembro de 2024, o aumento foi de 2,3 pontos percentuais. Ainda assim, foi a menor taxa desde julho.
"A curva de endividamento acompanhando a alta da taxa Selic é mais um indício de que precisamos diminuir os juros de maneira responsável", afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. "A economia brasileira mostra sinais de consistência, fechando 2025 com inflação, câmbio e emprego melhores do que o esperado." Mas isso, acrescentou, "depende diretamente de um ambiente mais favorável à livre iniciativa, considerando a instabilidade global pela qual passamos".
A redução da inadimplência no final do ano se deve, segundo a CNC, a mais planejamento por parte dos consumidores, além da sazonalidade, que inclui pagamento do 13º salário. De acordo com a pesquisa, o mercado de crédito ficou mais "seletivo" ao longo de 2025, devido à taxa básica de juros (Selic) elevada e ao próprio avanço da inadimplência. Isso resultou em dívidas com prazos mais curtos. "Em dezembro, o prazo médio de pagamento foi de 7,1 meses, contra 7,4 meses no mesmo período de 2024", afirmou a entidade.
A tendência de diminuição deve continuar no primeiro trimestre deste ano. "Esperamos que, ainda no primeiro semestre, o BC entenda a necessidade de trabalhar com uma taxa Selic mais razoável", disse o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. "O último trimestre foi de bons resultados, mas há risco iminente no ciclo de endividamento." Principalmente pelo cartão de crédito, "uma bola de neve das dívidas".