Após fusão, Grupo UNI-X projeta R$ 1 bilhão em 2026 e 300 lojas franqueadas
O movimento não é único. Grupos nacionais e especialmente regionais veem nos M&As (fusões & aquisições) uma estratégia de sobrevivência e crescimento
09:49 | Jan. 14, 2026
Após a consolidação da fusão entre a Enxuto Supermercados e a Flex Atacarejo, firmada em agosto do ano passado, o novo Grupo UNI-X entra em 2026 na fase mais crítica da operação: transformar a união em crescimento.
A companhia recém-lançada projeta faturar R$ 1 bilhão em 2026, avanço de 13% sobre 2025, apoiado na reorganização das bandeiras, expansão via franquias e ganho de eficiência logística.
"O grupo atua em um cenário competitivo e em transformação, com mudanças no comportamento de consumo. Isso exige fortalecimento regional", afirma Amilcar Pavan, sócio-diretor do Grupo UNI-X, em entrevista à Agência DC News.
O movimento não é único. Grupos nacionais e especialmente regionais veem nos M&As (fusões & aquisições) uma estratégia de sobrevivência e crescimento. Ainda não há dados consolidados de 2025, mas pesquisa da KPMG do fim de 2024 mostrou que no trimestre o Brasil registrou 128 fusões & aquisições no setor de consumo e varejo, sendo 46 no segmento de Alimentos, Bebidas & Fumo, 27 no setor de Supermercados. No primeiro semestre de 2025, houve retração, mas mesmo assim o número de M&As entre Supermercados chegou a 22 operações.
No caso do UNI-X, que atua em 14 cidades do interior paulista, o número de lojas atual é de 47. O grupo prepara reposicionamento regional para competir em um varejo alimentar cada vez mais pressionado por margem, escala e mudança no comportamento do consumidor.
Como parte da expansão, confirmou a abertura de uma loja em Campinas e anunciou mudanças nas bandeiras. As unidades que operavam sob a marca ASP Supermercados serão incorporadas ao Enxuto, enquanto duas lojas serão descontinuadas.
FRANQUIAS – Já o modelo Enxuto Aqui, voltado a condomínios residenciais, terá papel decisivo na capilaridade do grupo.
O plano é transformar a bandeira em rede de franquias, com a meta de atingir 300 pontos até 2030.
Segundo Pavan, para dar sustentação ao aumento da capilaridade esperada para os próximos anos, o grupo irá centralizar a logística.
O centro de distribuição de Jaguariúna, com 14 mil metros quadrados e capacidade para 3 mil paletes, será o responsável por atender todos os formatos da companhia, de supermercados ao atacarejo.
No anúncio da fusão, Carlos Crespi Neto, diretor de Novos Negócios do Grupo UNI-X, afirmou que a junção faz parte de uma ação que visa fortalecer, nas duas marcas, tanto as operações do atacado quanto do varejo.
"Trata-se de um movimento importante para garantir maior eficiência e solidez no plano de expansão do Grupo." Esse ponto, inclusive, foi um dos drives do mercado de M&A do varejo brasileiro.
A integração envolve também as vendas online. Atualmente, o e-commerce do grupo representa cerca de 2% das vendas, com meta de alcançar 3,5%, por meio da ampliação do sortimento, melhoria da experiência do usuário e expansão do alcance regional.
Entre as metas, a nova fase prevê investimentos em inovação, ao mesmo tempo em que mantém a tradição das marcas que compõem o grupo. Para Pavan, a fusão estratégica entre grupos com trajetórias de mais de 60 anos (Enxuto) e 30 anos (Flex) surge da necessidade de "integrar formatos complementares para atender diferentes perfis de consumidores".
O Grupo Enxuto foi fundado por João Batista Gonçalves, que começou a vender em 1963 o Arroz Enxuto na cidade de Campinas. Com o sucesso de vendas, em 1967 foi fundada a Cerealista Alvorada para atuar na área de secos & molhados.
Seis anos depois o empreendedor abriu o primeiro supermercado Enxuto em Campinas. As unidades seguintes foram abertas em Cosmópolis, Limeira e Piracicaba. Em 2018 o grupo lançou uma nova bandeira: o Enxuto Aqui. O Grupo Flex, que em 2026 completa 30 anos, nasceu na cidade de Valinhos, na Região Metropolitana de Campinas, como Supermercado ASP. A bandeira Flex Atacarejo nasce em 2017, acompanhando tendência do varejo alimentar e consolidar grandes lojas e concentrar as vendas pelo volume.
Principais fusões e aquisições do varejo em 2025
Americanas e BandUp!
A Americanas aceitou proposta vinculante apresentada pela BandUP! para a aquisição da Uni.Co, dona das marcas Imaginarium, Puket MindD e Lovebrands. O acordo movimentou R$ 152,9 milhões.
Grupo Mateus e Novo Atacarejo
O Grupo Mateus consumou a combinação de negócios com o Novo Atacarejo. A transação envolveu as operações de atacarejo, varejo e atacado de distribuição da companhia nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
Grupo Pereira e Schmit
Em janeiro, o Cade aprovou a compra do supermercadista catarinense Schmit pelo Grupo Pereira. A rede tinha uma loja em Itajaí, uma em Camboriú, uma em Itapema e quatro em Bombinhas.
Mart Minas e Apoio Mineiro.
Em outubro, o Cade aprovou a compra de lojas do Apoio Mineiro pelo Mart Minas. Em dezembro o grupo negociou a compra de mais oito unidades da bandeira do Grupo Supernosso. Das oito unidades, três estão localizadas em Belo Horizonte, duas em Betim, duas em Santa Luzia e uma em Sete Lagoas.
Minha Quitandinha e Onii
Em setembro, a Minha Quitandinha e a Onii se juntaram visando acelerar projetos e expandir a atuação no Brasil e no exterior, onde já têm presença em Dubai e Portugal, somando 750 lojas em operação.
Petz e Cobasi
No segmento pet, com a fusão anunciada desde 2024, a Petz e a Cobasi enfim receberam aprovação do Cade. No entanto, a transação está condicionada à venda de 26 lojas no estado de São Paulo, conforme determinação do órgão.
Shopper e iFood
Em fevereiro, o Cade aprovou, sem restrições, a aquisição de participação societária da Shopper pelo iFood. A operação tinha como principais objetivos fortalecer a concorrência, expandir a presença da Shopper no mercado e complementar o modelo de negócios do iFood.