Petróleo é insuficiente para estimular alta do Ibovespa por cautela com pesquisa eleitoral
11:49 | Jan. 13, 2026
A alta de mais de 1% nas cotações do petróleo é insuficiente para estimular alta do Ibovespa no início da sessão desta terça-feira, 13, diante do comportamento cauteloso dos mercados internacionais. Entre os destaques da agenda, nesta terça foram divulgados o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI (na sigla em inglês), a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e o balanço do quarto trimestre do JPMorgan.
Após ter perdido o nível de 162 mil pontos instantes antes da divulgação do CPI, o Índice Bovespa moderou as perdas, mas opera de certa forma descolado dos índices futuros de ações de Nova York. Entre os fatores por trás deste comportamento, está a cautela política, após pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta terça-feira.
O levantamento indica que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera a corrida pela reeleição no pleito marcado para outubro deste ano. "Aumenta a chance de reeleição de Lula, o que reduz a chance de mudança fiscal, para algo reformista", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
A despeito disso, o desempenho do Índice Bovespa "não é o fim do mundo, pode mudar ao longo da sessão", acrescenta Spiess.
Em Nova York, os índices futuros de ações sobem moderadamente após o CPI subir 0,3% em dezembro ante novembro, ficando em linha com o previsto, assim como o dado anual, de 2,7%. O resultado fortaleceu apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na decisão deste mês, com eventual recuo em março. Ainda seguem no radar as novas ameaças tarifárias do governo norte-americano a países que negociarem com o Irã, incluindo o Brasil, e o caso do Banco Master.
"A dinâmica do dia deve ser dada pelo externo mais cauteloso", estima o economista Carlos Lopes, do banco BV, em comentário matinal enviado a clientes e à imprensa.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços prestados caiu 0,1%, ante projeção mediana de alta de 0,1%. O resultado não deve mudar a expectativa de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano no Comitê de Política Monetária (Copom) neste mês.
Ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Lopes, do BV, disse que o resultado da PMS um pouco abaixo do esperado é consistente com desaceleração geral da atividade no quarto trimestre, mas ainda se mantendo como um setor aquecido.
Além disso, fica no radar o debate sobre a autonomia do Fed. Hoje presidentes de diversos bancos centrais manifestaram total solidariedade ao Fed e ao presidente da instituição, Jerome Powell, após ele se tornar alvo de investigação do Departamento de Justiça norte-americano (DoJ, na sigla em inglês). O comunicado conta com a assinatura do presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo.
Quanto ao Bancos Master, foi decidido de forma conjunta pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central a realização de uma inspeção para analisar a documentação do Master.
No campo corporativo, foco em Vale. A Capital World Investors (CWI), maior gestora do mundo com mais de US$ 3 trilhões em ativos administrados, aumentou sua participação na mineradora. O BTG também pode estar no radar dos investidores após informar que está perto da conclusão da incorporação do Banco Pan, que terá as suas negociações suspensas no dia 23. As ações da Vale sobem, apesar do recuo de 0,24% do minério em Dalian. Já os papéis de outras empresas ligadas ao metal cedem.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,13%, aos 163.150,35 pontos. Segundo Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, o indicador tem boas chances de buscar os 165 mil pontos nos próximos dias, mas com volta tímida dos investidores estrangeiros.
Perto das 11h20, o Ibovespa caía 0,35%, aos 162.582,92 pontos, ante recuo de 0,76%, na mínima a 161.910,79 pontos, após abertura na máxima, em 163.146,26 pontos. Os carros-chefes subiam: Vale registrava alta de 0,16% e Petrobras, de 0,78%.