Preços de serviços demoram mais para responder a efeito da política monetária, avalia IBGE
14:23 | Jan. 09, 2026
A inflação de serviços - usada como termômetro de pressões de demanda sobre os preços - passou de um aumento de 0,60% em novembro para uma alta de 0,72% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, o mais elevado desde fevereiro de 2025 (0,82%), é decorrente de pressões sazonais, mas também de uma demanda sustentada pelo aquecimento do mercado de trabalho, avaliou Fernando Gonçalves, gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
"Os serviços acabam demorando um pouco mais para responder aos efeitos da política monetária. Alguns componentes, como passagem aérea, já são esperados terem variação positiva. É mês de férias", lembrou Gonçalves.
O pesquisador acrescenta que o subitem também exerceu pressão sobre a inflação ao longo do ano de 2025, assim como transporte por aplicativo. Em dezembro, houve ainda pressão de demanda em serviços como cabeleireiro e barbeiro (1,28%), depilação (1,01%) e manicure (1,14%).
"Teve pressão maior por conta das festas de fim de ano", justificou Gonçalves. "A desocupação está em baixa, a renda da população está um pouco mais alta. Então a população acaba consumindo um pouco mais esses serviços, e isso acaba influenciando um pouco mais essa inflação. E em dezembro tem pagamento de 13º salário."
Os preços de itens monitorados pelo governo saíram de uma alta de 0,21% em novembro para deflação de 0,22% em dezembro.
No acumulado em 12 meses, a inflação de serviços passou de 5,96% em novembro para 6,01% em dezembro. A inflação de monitorados em 12 meses saiu de 5,33% em novembro para 5,28% em dezembro.