A partir de 2051, INSS terá mais aposentados do que contribuintes; entenda

Dado divulgado pelo Ipea revela que, atualmente previdência tem menos de dois contribuintes por beneficiário. Quadro deve se deteriorar nos próximos anos

13:49 | Mai. 03, 2024

Por: Samuel Pimentel
Beneficiários do INSS começam a receber o 13º a partir de quarta-feira (foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que a partir de 2051 o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) terá mais aposentados do que trabalhadores em idade ativa no mercado de trabalho contribuindo para previdência.

Conforme os dados, atualmente a previdência social possui menos de dois contribuintes para cada beneficiário no regime geral. A tendência é que esse quadro se deteriore nos próximos anos.

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O quadro é preocupante na medida em que o sistema previdenciário do INSS institui que os trabalhadores da ativa contribuam com a previdência e ajudem a sustentar o sistema de pagamento de benefícios para os atuais beneficiários.

Na pesquisa intitulada "Evolução e projeção de longo prazo de contribuintes e beneficiários e implicações para o financiamento da Previdência Social", de Rogério Costanzi e Graziela Ansiliero, é destacada a problemática da mudança de perfil da nossa população.

Conforme dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pirâmide etária do Brasil vem modificando e a população idosa cresce.

"De qualquer forma, há uma relevante correlação entre a população idosa e o quantitativo de beneficiários do RGPS e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com o número de idosos crescendo a um ritmo muito superior ao da população total e daquela mais tradicionalmente em idade de trabalhar", diz a pesquisa.

Dentro do cenário futuro de menos trabalhadores em idade para trabalhar contribuindo, os pesquisadores ainda destacam que, do ponto de vista de planejamento de médio e longo prazos das políticas de previdência social existem algumas demandas fundamentais.

"É fundamental considerar essas tendências no necessário redesenho e adequação das políticas previdenciárias, bem como, em especial, nos debates sobre o futuro do financiamento da seguridade social como um todo, incluindo saúde e assistência social, no atual contexto da reforma tributária".

Com base em dados do IBGE, ainda são destacadas as problemáticas em relação ao mercado de trabalho brasileiro, em que o nível de empregabilidade com contribuição para a previdência tem sofrido baques, por conta da alta informalidade.

Conforme dados anuais da Pnad Contínua, os pesquisadores estabeleceram um percentual base de 64% de pessoas ocupadas com contribuição para a previdência como sendo o ideal para o atual momento da previdência social.

No entanto, ao analisar o período entre 2012 e 2022 em praticamente metade do período descrito o nível de empregabilidade com contribuição previdenciária ficou em nível satisfatório.

A pesquisa ainda mostra que as mulheres são as mais atentas à contribuição previdenciária. Houve evolução mais favorável da contribuição previdenciária feminina em comparação aos homens entre 2012 e 2022.

Para as mulheres houve incremento para todas as raças, algo que não foi observado no público masculino. Conforme o levantamento, entre os homens, nota-se queda da contribuição para homens pretos, amarelos e indígenas.

O maior nível de contribuição prevalece para a raça/cor branca, em nível superior ao das pessoas pretas, pardas e indígenas.

Evolução da contribuição para previdência dos trabalhadores ocupados de 16 anos ou mais - segundo gênero/sexo e cor/raça

  • 4º trimestre de 2012
    Homens
    Branco: 70,1%
    Preto: 63,3%
    Amarelo: 69,9%
    Pardo: 55,6%
    Indígena: 54,5%
    TOTAL: 63%
    Mulheres
    Branca: 69,9%
    Preta: 62,2%
    Amarela: 71,1%
    Parda: 55,4%
    Indígena: 53,2%
    TOTAL: 63%
  • 4º trimestre de 2022
    Homens
    Branco: 71,5%
    Preto: 61,3%
    Amarelo: 69%
    Pardo: 57,3%
    Indígena: 52,8%
    TOTAL: 63,9%
    Mulheres
    Branca: 72,6%
    Preta: 62,4%
    Amarela: 71,3%
    Parda: 60%
    Indígena: 55,9%
    TOTAL: 66,1%
    Fonte: Pnad Contínua/IBGE/Elaborado por Ipea

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