Eletrobras mira acordo com a Shell para investir em eólica no mar

Atualmente, a Shell Brasil Petróleo está na lista de empresas com projeto em análise de licenciamento pelo Ibama em mares cearenses

12:07 | Dez. 15, 2022

Por: Beatriz Cavalcante
Propostas são apresentadas para mitigar impactos das energias renováveis. (foto: FCO FONTENELE)

A Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S/A) anunciou ao mercado nesta quinta-feira, 15, que assinou acordo de cooperação técnica com a Shell para troca de informações para "um possível" co-investimento no desenvolvimento e na operação de projetos de energia eólica em alto mar (offshore), no Brasil.

A Shell Brasil Petróleo está na lista de empresas com projeto em análise de licenciamento pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em mares cearenses.

O empreendimento previsto pela petroleira é o Projeto Pecém, que prevê 215 aerogeradores e potência total de 3.010 megawatts (MW).

Mas, no acordo com a Eletrobras, as empresas ainda buscarão identificar áreas para a possível parceria e não mencionam que projetos estão na mira da parceria.

Conforme o comunicado da Eletrobras, o objetivo é diversificar sua matriz de geração focada em fontes
renováveis.

"Neste sentido, a Eletrobras acredita que a energia eólica offshore tem se mostrado, em todo o mundo,
uma fonte energética em expansão para a geração de energia renovável, impulsionada pelo apoio de
políticas energéticas, em resposta a preocupações ambientais, e por avanços tecnológicos."

LEIA TAMBÉM: Projetos de eólicas no mar do Ceará deixam comunidades costeiras aflitas

Projetos de energia eólica offshore 

Atualmente, o Ceará possui 21 projetos de energia eólica offshore (em alto mar) em análise no Ibama. É o mesmo número cadastrado que o do Rio Grande do Sul e o maior até o momento.

Na sequência, também estão com potenciais instalação para o mar os estados de Rio Grande do Norte (9), Rio de Janeiro (9), Piauí (4), Espírito Santo (4), Maranhão (1) e Santa Catarina (1).

No Brasil, estão previstos 12.059 aerogeradores e potência total de 176.581 MW.

Estes planos de energia limpa no Estado vêm para atender, principalmente à cadeia em torno da geração de hidrogênio verde. Para isso, o governo estadual criou um hub.

A ideia é aproveitar a carência por novos tipos de combustíveis e a busca pela descarbonização.

Para se ter ideia, o hidrogênio possui três vezes mais energia do que a gasolina, além de ser considerado uma fonte de energia limpa, uma vez que na sua queima apenas libera água (H2O), na forma de vapor, e não produz dióxido de carbono (CO2).

No Ceará, a expectativa é que essa fase de captação para o hub de H2V se concretize com o seu início de produção em 2025, atingindo o volume de 1,3 milhão de toneladas em 2030.

 

Veja lista de projetos de energia eólica offshore no Ceará

  • Jangada, da Força Eólica do Brasil (3.000 MW de Potência Total)
  • Camocim, da Camocim Eirelli (1.200 MW de Potência Total)
  • Dragão do Mar, da Qair Marine Brasil (1.216 MW de Potência Total)
  • Alpha, da Alpha Wind Morro Branco (6.000 MW de Potência Total)
  • Costa Nordeste Offshore, da Geradora Eólica Brigadeiro I (3.840 MW de Potência Total)
  • Asa Branca I, da Eólica Brasil (1.080 MW de Potência Total)
  • Sopros do Ceará, da Totalenergies Petróleo&Gás (3.000 MW de Potência Total)
  • Projeto Pecém, da Shell Brasil (3.010 MW de Potência Total)
  • Caucaia - Bi Energia, da Bi Energia Ltda (576 MW de Potência Total)
  • H2GPCEA, da H2 Green Power Ltda (3.000 MW de Potência Total)
  • Projeto Colibri, da Equinor Brasil Energia (2.010 MW de Potência Total)
  • Projeto Ibitucatu, da Equinor Brasil Energia (2.010 MW de Potência Total)
  • Asa Branca II, da Eólica Brasil (1.080 MW de Potência Total)
  • Ventos dos Bandeirantes, da Kaanda R.M Cunha (2.748 MW de Potência Total)
  • Asa Branca III, da Eólica Brasil (4.320 MW de Potência Total)
  • Asa Branca IV, da Eólica Brasil (4.320 MW de Potência Total)
  • Araras Geração Eólica Offshore, da Shizen Energia do Brasil (3.000 MW de Potência Total)
  • Tatajuba Geração Eólica Offshore, da Shizen Energia do Brasil (3.000 MW de Potência Total)
  • Ventos de São Francisco, da Monex Geração de Energia SA (2.955 MW de Potência Total)
  • Itapipoca, da Energia Itapipoca Ltda (720 MW de Potência Total)
  • Mar de Minas I, da Cemig Geração e Transmissão SA (1.500 MW de Potência Total)

Vale frisar que os projetos ainda não são concretos e que, conforme a configuração assinalada no Ibama, alguns até possuem desenhos de áreas sobrepostas; veja abaixo:

 

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