Famílias de vítimas realizam ato após dois anos de tragédia com ônibus em Canindé
Acidente vitimou 18 passageiros do ônibus que vinha de Boa Viagem e tombou no quilômetro 304 da BR-020
06:00 | Mai. 19, 2016
Já por volta das 19h, será realizado uma missa na capela do cemitério de Boa Viagem. Segundo o presidente da Associação das Vítimas da Princesa dos Inhamuns (Avipe-CE), Daniel Moura, que perdeu os pais no acidente, haverá grupos de familiares saindo de Fortaleza e de Boa Viagem para participar do ato.
Dois anos depois
O acidente vitimou 18 passageiros do ônibus que vinha de Boa Viagem e tombou no quilômetro 304 da BR-020, em Canindé, por volta das 8h40min do dia 18 de maio de 2014. Após dois anos do caso, o presidente da Avipe afirma que todas as famílias das vítimas mortas no tombamento foram indenizadas pela empresa de transporte, em acordos extrajudiciais.
Conforme Daniel Moura, a criação da associação teve como objetivo lutar pelos direitos das famílias e tentar impedir que acidentes como o de Canindé voltassem a acontecer. "No local da tragédia já tinha acontecido outros acidentes lá. Não tinha sinalização. Nós (associação), junto com a empresa, conseguimos que fossem implantados um fotosensor, com velocidade máxima permitida até 60 km, e uma sinalização no local do acidente, no fim de dezembro de 2014", relatou ele.
Passageiros que ficaram feridos ou tiveram alguma perda material também entraram em acordos extrajudiciais com a companhia, segundo informações da Avipe. Entre os três sobreviventes que tiveram sequelas, dois homens perderam um dos braços e uma mulher quebrou a clavícula.
No caso da sobrevivente, ela está incapacitada, de forma permanente, para desenvolver o trabalho de doméstica que exercia, após perícia médica, conforme a Avipe. Ela teria sido a única passageira do ônibus envolvido na tragédia a entrar na Justiça contra a Companhia.
A sobrevivente também perdeu o marido no mesmo acidente. Sobre a indenização pela morte do esposo, ela fechou acordo extrajudicial.
Apelo
O presidente da Avipe faz um apelo ao Governo do Estado pela fiscalização do uso de cinto de segurança nos ônibus interurbanos e intermunicipais. "O Governo precisa fiscalizar esses ônibus. Se o cinto estivesse sendo fiscalizado, não teríamos as vítimas (do acidente em Canindé). O Governo deveria incentivar campanhas para conscientizar a população", disse ele.