Fantasias, romance e tranquilidade marcam domingo de Carnaval no Mercado dos Pinhões
Foliões destacam segurança, clima familiar e criatividade nas fantasias durante a programação festiva deste domingo, 15
20:09 | Fev. 15, 2026
Preparados para mais um dia de carnaval, os foliões se reuniram no Mercado dos Pinhões neste domingo, 15, para aproveitar as principais atrações divulgadas para o dia.
Os horários estão claros: às 16h, quem abriu os festejos foi o DJ Flash Vinil; logo após, às 17h, Samba de Pai para Filha subiu ao palco; às 18h30, Vitória Fernandes deu continuidade às canções; e, para encerrar o dia, às 20h, apresentou-se Anderson Monteiro.
O que não é possível prever ao ler a agenda de shows são as emoções que cada música pode causar.
Samba de Pai para Filha começou a tocar com aqueles 15 minutos de atraso, rotineiros em qualquer show.
Os hits nacionais antigos fazem parte do repertório da banda, que anima o público presente no Mercado. O pai, Marcelo 21 (nome artístico), anuncia sua filha, Julinha 21, que, ao subir ao seu lado, explica aos que assistem — mesmo que silenciosamente — o nome da banda e a música passada de geração em geração.
Dentre as primeiras músicas, tocam “Lambada”, da banda Kaoma, lançada em 1989. A plateia aproveitou o momento para puxar o seu par mais para perto e dançar, naquele agarradinho de carnaval.
Vitória Fernandes, por sua vez, toca as melhores do DJ e cantor brasileiro Pedro Sampaio, mas não se detém a elas. “Faraó”, sucesso de 1987, é repetida por ela, animando os foliões.
Amor além do carnaval
Aos que gostam do clima amoroso no festejo, as fantasias deixaram claro que, para os que não estão acompanhados, o compromisso existe. Giselle Gurgel e seu marido, Rogério Almeida, aproveitaram o momento para usar uma fantasia combinando.
Além de demonstrar a união de 27 anos, os dois decidiram usar o momento como forma de manifestação.
Vestida com um boné bege de aba larga, uma capa vermelha que cobre os ombros, meia arrastão e um tênis vermelho vibrante, Giselle usa uma placa pendurada no pescoço. Nela está escrito: “Aia só na fantasia…”. Rogério, por sua vez, carrega pendurada a sua própria placa, que completa a da esposa: “…Porque é ela que comanda”.
Ao O POVO, Giselle explicou como surgiu a ideia da fantasia: “Está muito em alta a questão da mulher, do feminicídio. Essa fantasia é baseada em ‘O Conto da Aia’, que é uma série”. Ali, mesmo com o volume alto do som, Giselle explica que a série — um drama de 2017, com seis temporadas — trata da libertação das mulheres.
O enredo conta a história de uma Aia que, revoltada, não aceita a subserviência. Assim, Giselle propôs a fantasia de um dos dias de carnaval — segundo Rogério, eles irão todos os dias com novas fantasias —, ideia que surgiu de forma bem natural entre o casal, que confecciona os trajes.
Escolheram o Mercado dos Pinhões, dentre tantos polos, pela tranquilidade. “A gente gosta daqui porque é bem tranquilo, é bem servido de alimentação, é próximo da minha residência”, afirmou Giselle. Para Rogério, toda a alegria do folião para este momento se resume a “música boa e zero confusão”.
A noiva do carnaval já está casada
Naíde Wilma, por sua vez, decidiu expressar sua união de uma forma pouco comum para o festejo. Trajada com um vestido branco, segurando um buquê de flores e usando véu e grinalda presos aos cabelos loiros, ela decidiu que a melhor fantasia seria a de noiva, mesmo tendo medo de que “fosse coisa de São João”.
“A ideia surgiu do nada! Eu vi uma foto em uma revista de Portugal. Geralmente eles acham que é coisa de São João, mas eu achei bem carnavalesca, ao mesmo tempo em que eu já sou casada”.
A ideia foi aprimorada pela mineira, que veio pela segunda vez à Fortaleza acompanhada do marido.
“Todas as que eu vi só tinham o véu, não tinham o vestido nem o buquê; eu quis acrescentar e fazer uma caracterização bem feita”, acrescentou: “É só uma caracterização, eu já sou casada!”. Naíde passou o sábado de carnaval na Praia de Iracema, mas ouviu dizer que o Mercado dos Pinhões era tranquilo e resolveu testar.
“Já estou familiarizada, até agora estou achando maravilhoso, estou apaixonada." Para ela, a alegria do folião tem outro significado: “Vem de dentro para fora. Independentemente da fantasia, você já vem feliz”.
Conforto unido à folia
A animação do Carnaval de Naíde contaminou até os foliões que preferem aproveitar a festa de forma mais confortável. Jeane Barros mora no Icaraí, é animadora de festas infantis e decidiu que, se fosse para ficar até o final, levaria sua cadeira de praia cor-de-rosa.
“Eu tenho mais de 40, né? A coluna não aguenta muito, aí eu vim para ficar sentada."
Mesmo com a preocupação com as dores, Jeane disse que participará de todos os dias do ciclo carnavalesco.
“Você se sente seguro aqui, é bem tranquilo, calmo”, afirmou sobre a organização do evento. Para ela, a alegria do folião é “curtir na sua, sem mexer com ninguém” e que a Prefeitura de Fortaleza deu a chance de curtir um carnaval “sem grandes custos”, já que os eventos são gratuitos.
A santinha foi curtir o Carnaval
Sarah Braga resolveu ir ao festejo fantasiada de anjo, já que os amigos dizem que ela é “santinha”. Acompanhada de sua amiga Miriellen, esse é o primeiro dia em que aproveita a festa.
Apesar de não ter atrações específicas que a encantem, já que “tudo que aparece ela está curtindo”, Sarah escolheu o Mercado dos Pinhões pela tradição, já que o polo é conhecido pela qualidade das comemorações.
Além disso, ressaltou a organização e o policiamento do evento. “A gente se sente seguro, para mim está tudo ótimo!”
Para Sarah, a alegria do folião “é onde a gente coloca para fora toda a tristeza, esquece os problemas e vai viver”.
Marilene gostou do movimento
Marilene Catunda trabalha há 15 anos no Carnaval, acompanhada do filho João Vitor e do marido João Neto. Para ela, o movimento de hoje, 15, está “maravilhoso”, mas ontem, 14, estava “mais maravilhoso ainda”. Dentre as bebidas que mais vende estão as caipirinhas e drinks de siriguela, abacaxi e limão.
Os preparativos para as vendas começaram às 11h da manhã, mas ela chegou ao Mercado às 15h, rotina que vem repetindo nos dias do Carnaval. Participou do sorteio da Prefeitura que a possibilitou, mais uma vez, trabalhar no Mercado dos Pinhões.
Não teve tempo de dizer o que, para ela, é a alegria dos foliões. Teve de correr para “atender seus clientes”, pois não podia “perder venda”. Para ela, talvez, a alegria do folião fosse essa: conseguir um pouco mais de dinheiro para a família.
Com informações da repórter Estela Félix