Beatificação da Menina Benigna: entenda os caminhos do processo na Igreja Católica

Depois do título de beata, a menina poderá ser nomeada santa. Para isso, supostos milagres operados por intermédio da Serva de Deus precisam ser confirmados pela Congregação para a Causa dos Santos

11:24 | Out. 04, 2019

MONUMENTO em homenagem a Menina Benigna em Santana do Cariri (foto: Fabio Lima)

Na última quinta-feira, 3, o Vaticano reconheceu o martírio de Benigna Cardoso da Silva, que pode se tornar a primeira santa cearense. Para muitos, a beatificação é apenas uma confirmação formal daquilo em que a população já crê. Aprovação do processo para beatificação foi publicada nos Decretos da Congregação para as Causas dos Santos, junto a outros quatro servos de Deus.

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Primeiro passo para a canonização, a beatificação é o reconhecimento oficial dado pela Igreja Católica à fama e ao testemunho de santidade de alguém que viveu e morreu heroicamente, seguindo virtudes cristãs. No caso da menina cearense, o processo teve início em 2011 e a Congregação para a causa dos Santos nomeou Benigna com seu primeiro título: Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva.

Segundo estudiosos, a brutalidade da sua morte e a sua fé são fatores que favorecem o processo. Relatos históricos sobre as virtudes da jovem, artigos de livros, revistas e jornais, foram recolhidos por uma comissão liderada pelo bispo dom Fernando Panico. O relatório, com a biografia, os milagres e o histórico do conhecimento trágico, foi traduzido para o latim e encaminhado para o Vaticano.

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Para alguns, o começo da "santificação" formal de Benigna foi quando o padre Christiano Coêlho, vigário de Santana do Cariri na época do crime, deixou escrito em um documento da paróquia: "Morreu martirizada às 4 horas da tarde, do dia 24 de outubro de 1941, no Sítio Oiti, heroína da castidade. Que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da província".

Em 2016, a Santa Sé solicitou depoimentos de quem viveu entre as décadas de 1940 e 1980 e declarava ter graças alcançadas, além de relatos sobre a consciência popular que aconteceu com Benigna. O objetivo era fortalecer a certeza de que o martírio da jovem é cristão. A morte como mártir facilita o processo de beatificação, já que dispensa a comprovação de um milagre.

O próximo passo agora é a assinatura, pelo papa, dos decretos e a definição da data da cerimônia litúrgica de beatificação. Depois do título de beata, a menina poderá ser nomeada santa. Para isso, supostos milagres operados por intermédio da Serva de Deus precisam ser confirmados pela Congregação para a Causa dos Santos. O processo é mais demorado e pode levar diversos anos.

Menina Benigna

Órfã de pai e mãe, Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, em Inhumas (Sítio Oiti), distrito do município de Santana do Cariri. Foi assassinada em 24 de outubro de 1941 vítima de feminicídio pelo jovem Raul Alves. A garota é considerada pela igreja e seus devotos mártir e "Heroína da Castidade". Desde 1942, muito antes de a Igreja traze-la para o rol de candidatos a santos de altar, fiéis vão a seu túmulo para acender vela por supostas graças alcançadas.

O episódio 159 do podcast Recorte conta esta história e traz uma análise sobre este processo de beatificação e as repercussões que isso pode trazer.

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