“Isso é um resultado que aparece nos prontos-socorros todos os anos. Diarreia, vômito, desidratação, refluxo intenso, crises fortíssimas de gastrite, muitas vezes hepatites alcoólicas, que são também coisas que acontecem bastante nessa época”.
Rodrigo Barbosa afirmou, porém, que algumas dessas coisas são evitáveis e pode-se tentar preveni-las ao máximo.
O mais importante, segundo o cirurgião, é a hidratação. Porque a perda hídrica pelo suor, por causa do álcool, pelos longos períodos em pé, reduz o fluxo sanguíneo gastrointestinal, favorece constipação, dor abdominal, queda da imunidade.
“Então, beber bastante água ao longo do dia é fundamental e existe sempre um valor mínimo, que é 35 ml de água por quilo de peso. Esse deve ser o mínimo do mínimo que uma pessoa deve beber, principalmente quando está exposto a algum risco de desidratação”, indicou.
O médico confirmou a dica da nutricionista sobre a importância disso ser feito intercalando a ingestão de água com álcool. “Você está tomando uma cerveja, está tomando um drinque ali na praia, deve intercalar com água, porque isso vai manter ali a viabilidade da hidratação das células”. Outra coisa muito boa de se fazer para hidratação é ingerir uma bebida isotônica, porque vai garantir que a pessoa não tenha um distúrbio eletrolítico, principalmente se está com fezes mais soltas, ou uma diarreia.
Para o cirurgião, não há dúvida de que o álcool seja o elemento que mais irrita a mucosa gástrica, aumenta o risco de gastrite e refluxo, altera a motilidade do intestino, facilita a permeabilidade do intestino para infecções transitórias. No item álcool, chamou a atenção para bebidas vendidas nos blocos, cuja procedência é ignorada muitas vezes.
“Porque essas bebidas não são distribuídas por vendedores legais. Você não sabe a procedência delas. Então, ter atenção com o que você está tomando, onde você está tomando, é muito importante, até porque as intoxicações por metanol podem ter consequências muito graves”, lembrou o médico.
Ele disse também que o folião deve procurar dormir bem “porque muitas vezes fica querendo ir para todas as festas possíveis e imagináveis e acaba bebendo demais sem dormir bem. E a perda do sono também aumenta a permeabilidade intestinal e pode causar alguns problemas”.
Barbosa destacou que tem que ter muito cuidado com a ingestão de remédios, principalmente com anti-inflamatórios e antiácidos em excesso. “Porque os anti-inflamatórios podem causar úlceras, piorar a gastrite, causar sangramentos digestivos, e os antiácidos, muitas vezes, mascaram esses sintomas e você acaba piorando do quadro”. Ele ressaltou ainda a necessidade de atenção para a procura de um pronto-socorro e não tentar normalizar o que está sentindo, como se fosse coisa típica do carnaval.
“Se a diarreia está persistindo por mais de 48 horas, estiver com vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal que está progredindo, pronto-socorro na hora, para poder cuidar, muitas vezes tomar uma hidratação na veia, tomar um antibiótico, e controlar melhor os sintomas para que não venha a piorar”, apontou.
Complicações cardiovasculares
O cardiologista Leandro da Silva Elias, médico emergencista e professor do Instituto de Educação Médica (Idomed), ressaltou que o calor excessivo, próprio do período do carnaval, pode sobrecarregar o coração e o sistema circulatório, ampliando o risco de complicações cardiovasculares.
Daí, o corpo precisa trabalhar mais para dissipar o calor e manter a temperatura estável. Os principais efeitos das temperaturas elevadas são aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, desidratação e desequilíbrio de eletrólitos, maior esforço cardíaco e aumento do risco de coágulos e acidente vascular cerebral (AVC).
O grupo de maior risco é integrado pelas crianças, bebês, idosos e pessoas que têm comorbidades, como obesos, diabéticos, cardiopatas, doentes renais crônicos. “Essas pessoas precisam ter um cuidado maior”.
Um dos perigos principais que se deve ter bastante atenção é a desidratação, sustentou Elias. “O nosso sistema cardiovascular sofre muito com essa perda de líquidos. Isso causa uma repercussão muito grande. Associada ao álcool, propicia até uma piora ainda mais importante dessa desidratação e pode desencadear problemas como arritmias, desmaios, tonturas, problemas que têm possibilidade de levar o folião ao hospital”.
Suor excessivo pode ser um sinal de alerta. Do mesmo modo, tonteiras, falta de ar, cansaço fora do comum. “Alguns pacientes desmaiam sem mesmo ter antecedentes de hipotensão”. Por isso, o cardiologista reafirmou que ao sentir dor de cabeça, sensação de desmaio ou de tonteira, o folião precisa se preocupar com o que está acontecendo e aumentar a quantidade de líquido para se hidratar.
O médico destacou que a pessoa, em um quadro de temperatura excessiva e sol, pode sofrer insolação, também chamada de golpe de calor. É uma condição grave, causada pela exposição excessiva ao calor e à radiação solar, quando o corpo não consegue mais regular sua temperatura. Isso faz com que a temperatura corporal ultrapasse 40°C, podendo levar a danos cerebrais, falência de órgãos e até morte, se não tratada rapidamente.
O médico alertou ainda para o uso de drogas no carnaval.
“A gente sabe que embora seja prejudicial, muitos foliões tomam muita droga nesse período de festas. Isso também afeta bastante o coração e pode aumentar palpitações. Quando associada com à falta de líquido, pode acelerar o quadro. A gente sabe que o uso de drogas nos carnavais acontece, e isso traz um prejuízo muito grande para a saúde do folião. É preciso ter muito cuidado”, recomendou o médico.