“Eu estava assistindo [na TV] e veio aquela peça do São Jorge e me arrepiou. Eu sabia que eram uns amigos meus que construíram. Foi um orgulho muito grande para nós. É a evolução que fica marcada. A gente quer um diferencial para deixar alí, marcado na escola ou no carnaval. São Jorge vai ser lembrado por muitos anos”, garante o artista do Boi Caprichoso Jucelino Belém Ribeiro.
Este ano é o primeiro que ele trabalha no Salgueiro, mas desde 2007 já pôde dividir a sua experiência em outras escolas. A primeira foi a Unidos de Vila Isabel, escola da zona norte do Rio de Janeiro. No início era pintor de arte, e na época em que trabalhou com o ex-carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense Cahê Rodrigues, entre 2014 e 2017, passou a ser ferreiro. Jucelino faz parte de uma equipe de Parintins que veio para o Rio para desenvolver a tecnologia do Boi-bumbá no Grupo Especial.
A imagem que via, lá em Manaus, na transmissão dos desfiles, foi o que despertou a vontade de participar desse universo.
“Agora a gente já tem mais experiência na tecnologia. É a nossa diferença, principalmente na parte da robótica, com alegorias que se mexem. As coisas todas evoluem e vem todo mundo de lá [Parintins]. A gente faz uma maquete e começa a construção. É assim que funciona”, explicou.
Nesses anos de função no Rio de Janeiro, Jucelino teve oportunidade de integrar uma equipe campeã. “Foi o ano em que a professora Rosa Magalhães foi campeã. Foi meu último ano que trabalhei lá na Vila”, lembrou.
Jucelino chegou a ficar afastado do carnaval do Rio, mas não resistiu ao contato do Salgueiro. “A diretoria foi até Parintins, a gente teve uma conversa, apresentou o projeto, e isso me interessou. Foi por isso que eu voltei para o carnaval depois de 5 anos. O Salgueiro vai surpreender e muito”.
Costureira
Luciene Ferreira Moreira, 62 anos de idade, é costureira do Salgueiro há 19 anos, e desde o ano passado coordena o setor importante para o visual da escola. Ela trabalha no barracão na produção de fantasias da comunidade, que são distribuídas pela própria escola, como das baianas, passistas e alas comerciais.
“O meu sentimento é um sentimento gratificante de ser salgueirense e estar fazendo a roupa. É a minha escola de coração. Para as pessoas que trabalham na escola de coração, é mais gratificante ainda”, disse à Agência Brasil.
“Eu caio em pratos”, revela Luciene ao expressar a emoção que sente ao ver no desfile as fantasias que produziu no barracão. “Quando o meu amigo falou a escola está linda, a lágrima desceu e não parei mais de chorar. Só parei de chorar quando cheguei perto do Xande de Pilares. Ele é a alegria, ele é o cara”.
O cantor, compositor e ator Xande de Pilares, morou parte da infância no Morro do Turano, na Tijuca, e passava momentos na quadra do Salgueiro.
A proximidade da costureira com o artista foi fortalecida durante uma visita dele ao barracão. “Ele fez uma melodia para mim, na hora”.
Luciene disse estar animada com a expectativa do desfile. “O samba é muito forte, fala de macumba mesmo, porque, graças a Deus, eu sou espírita, e só de falar 'eu adorei as almas', arrepia a gente e vai arrepiar na avenida com as fantasias também”, assegurou.