Cientistas do Acre descobrem fungos eficazes no combate às larvas do Aedes aegypti
Região amazônica apresenta formação de poças com água parada
18:07 | Nov. 20, 2023
Cientistas da Universidade Federal do Acre (UFAC) descobriram fungos eficazes no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti. O estudo, que avaliou 23 espécies amazônicas de fungos, foi publicado na revista científica Brazilian Journal of Biology.
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Fruto da dissertação de mestrado, a pesquisa foi estruturada pelo engenheiro florestal, biólogo e doutorando em biodiversidade e biotecnologia Gleison Rafael Queiroz Mendonça. Ele coletou solos da floresta amazônica da região do Acre para conseguir as espécies fúngicas e larvas do mosquito, em ambientes peridomicílios, que são áreas existentes ao redor do domicílio, em um raio não superior a 100 metros, na cidade de Rio Branco.
O engenheiro florestal esclarece que a ideia surgiu quando iniciou o mestrado, pois o programa tinha a característica de ser interdisciplinar. Ele decidiu dar um enfoque na área da saúde, no caso do aedes aegypti.
“O nosso objetivo era realmente poder de alguma maneira desenvolver algo que fosse útil para a sociedade em relação a essa problemática de saúde pública, justamente por ter essa questão de maior impacto científico aqui na região amazônica. É um problema recorrente, anualmente, especialmente no inverno, período de muita chuva, acumulando muita água em regiões peridomiciliares”, afirmou o cientista.
O estudo durou dois anos e os resultados foram revelados no dia 27 de outubro. O objetivo é que o experimento permita a criação de um inseticida seguro e eficaz contra o mosquito da dengue. Contendo bioativos da floresta que já estão adaptados ao ambiente, o produto pode ter mais eficácia que outros tipos de inseticida.
“Eu acredito que é algo realmente promissor. O nosso objetivo agora é efetivar um produto, conseguir trazer para o mercado algo que possa ser comprado e utilizado tanto pelos órgãos públicos, que são responsáveis pelo controle do vetor, como também pela própria pessoa que queira proteger o seu lar e a sua família. Um produto que venha agregar de fato na saúde pública”, defende o pesquisador.
Gleison Rafael reitera que fazer pesquisa na região amazônica é cansativo e exaustivo por ser uma região muito distante dos grandes centros de pesquisa. “As maiores dificuldades são as questões de estrutura, de investimento na pesquisa e de manutenção do próprio estudo, especialmente nos anos passados no último governo, na qual a pesquisa foi dilacerada”, desabafa.
Queiroz explica que uma substância feita com bioativos da própria floresta pode ser mais eficaz no combate ao mosquito na região que outro tipo de inseticida desenvolvido nos pólos científicos do Sul ou do Sudeste, onde há muita pesquisa sobre o combate ao Aedes.
O biólogo selecionou 23 espécies de fungos no laboratório e observou como elas agiam com as larvas do mosquito. Apenas cinco foram eficazes no extermínio do vetor. Os fungos então foram testados em um ambiente mais parecido com os quais o Aedes se desenvolve, considerando fatores como luminosidade, radiação ultravioleta e temperatura. Dessa vez, nas condições reais do experimento, três das espécies se destacaram: Beauveria sp, Metarhizium anisopliae e M. anisopliae, conseguindo eliminar 100% das larvas em até quatro dias.
“Publicar na Brazilian Journal of Biology é uma realização de todo esse esforço. É uma ótima revista, é super tradicional no ramo da biologia do Brasil. Eu acredito que, apesar das nossas limitações como pesquisadores da amazônia, conseguimos bons frutos”, finaliza.
Onde acessar a pesquisa sobre os fungos eficazes no combate ao Aedes Aegypti?
É possível acessar a pesquisa no site da Biblioteca Eletrônica Científica Online (Scielo) e da Brazilian Journal of Biology. Também pode entrar em contato com o perfil do instagram do estudo, o @metattackbio.