Jovem é expulso de shopping em Pernambuco por usar suástica no braço
A situação foi registrada em vídeo e alcançou grande repercussão nas redes sociais
16:33 | Jun. 18, 2021
Um adolescente de 17 anos, usando uma faixa com uma suástica, símbolo que remete ao nazismo, foi expulso de um shopping em Caruaru, no Agreste do Estado, nesta quinta-feira, 17. A situação foi registrada em vídeo por um empresário e alcançou grande repercussão nas redes sociais.
Ao Jornal do Commercio, o empresário Breno Melo, que gravou as imagens, relatou que estava andando no centro de compras quando percebeu que o jovem estava usando uma suástica. "De primeira, eu custei a acreditar. Não podia ser sério. Demorei a assimilar e resolvi voltar para ver se era, de fato, a suástica. Quando percebi, me aproximei. Ele disse que era menor de idade e que tinha liberdade de expressão",
contou.
O empresário registrou um boletim de ocorrência sobre o caso em uma delegacia de Polícia Civil de Caruaru. Em nota, a Polícia Civil informou que o rapaz foi apreendido em flagrante "por atos infracionais de natureza grave".
De acordo com a corporação, além do episódio com o símbolo nazista, também foram identificados outros atos infracionais praticados por ele, como racismo e apologia à exploração sexual de menores de idade. A polícia informa que foi instaurado procedimento para apurar o caso e equipamentos eletrônicos apreendidos passarão por perícia. O adolescente será encaminhado para o Ministério Público.
O que diz o Código Penal?
Segundo consta no artigo 20, inciso 1, da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo".
Neste caso, a pena é de reclusão de um a três anos, além de multa. A advogada criminal e coordenadora do curso de Direito da UNIT-PE, Martha Guaraná, completa que jovem pode ter cometido os crimes que constam nos artigos 286 e 287 do Código Penal. "Incitar, publicamente, a prática de crime", diz o artigo 286. Já o 287 afirma que é crime "fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime".
"A suástica representa o símbolo do nazismo, do que aconteceu na Alemanha, de Hitler contra os judeus. Aquilo que aconteceu foi uma situação clássica e clara de racismo e, consequentemente, as mortes. Dependendo de como a pessoa esteja ostentando esse símbolo, essa pessoa pode estar incorrendo no crime de racismo, porque está se tratando de um símbolo que, indiretamente, leva ao preconceito. Da mesma forma, a gente tem o código 286 do Código Penal que trata da incitação pública à prática de crimes", explicou.
"Ou seja, uma pessoa que está em público incitando outras a praticarem delitos, essa pessoa responde também com base na nossa legislação penal. Então, se ela também estiver ostentando qualquer coisa que demonstre que o que ela está fazendo é uma incitação pública à prática de crimes, então ela responde no código 286. Tudo vai depender do caso e das circunstâncias", completou.
Na avaliação da advogada, o jovem parecia "saber o que estava fazendo, mas não tinha noção dos danos que ele estava ostentando". Posicionamento do shopping
Em nota, o Caruaru Shopping disse que "repudia toda e qualquer forma de apologia ao movimento nazista".
Leia a íntegra da nota divulgada pelo shopping
O Caruaru Shopping repudia toda e qualquer forma de apologia ao movimento Nazista. Diante do vídeo exposto em redes sociais, informamos que o usuário, nitidamente conturbado, foi flagrado pelo sistema de segurança do empreendimento e, de imediato, como visto nas imagens, foi abordado por um de nossos seguranças e expulso de nosso shopping. Aqui prezamos pela liberdade de expressão, de forma sadia e não conturbada. Prefeita de Caruaru se pronuncia Em uma de suas redes sociais, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), se manifestou a respeito do caso. "É lamentável que nos dias de hoje a gente se depare com episódios como o que aconteceu nesta quinta-feira, em nossa cidade. Apologia ao nazismo é
crime! Não podemos aceitar isso!", escreveu.