Nordeste é destaque na 12ª edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil

Ceará terminou como o quinto estado mais premiado, com 12 medalhas. Competição foi adaptada para ocorrer de modo virtual

14:57 | Nov. 23, 2020

Por: Lais Oliveira
Duas das equipes medalhistas na 12ª Olimpíada de História. (foto: Reprodução/Acervo Pessoal)

O Nordeste saiu como grande vencedor da 12ª edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). De um total de 90 medalhas distribuídas, 64 foram para escolas públicas e privadas da região. O Ceará terminou como o quinto estado mais premiado, com 12 medalhas, sendo quatro de ouro, duas de prata e seis de bronze.

O vencedores da competição realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram anunciados nesse domingo, 22, em transmissão online. Por causa da pandemia de Covid-19, a ONHB foi adaptada para ocorrer de modo totalmente remoto.

A premiação incluiu 12 estados brasileiros. Conforme a organização, a etapa final contou com 461 equipes, totalizando 1,6 mil participantes de todos os estados do País. Os grupos são formados por três estudantes do 8º ou 9º ano do ensino fundamental e todos os anos do ensino médio, além de um professor de História.

A Bahia teve o maior número de equipes premiadas: 18 medalhistas. A seguir, estão São Paulo com 16 grupos, Pernambuco (14), Rio Grande do Norte (13), Ceará (12), Minas Gerais (7), Sergipe (4), Piauí (2).

 

Uma das medalhistas de ouro da olimpíada foi a estudante Rayra Paula Ferreira da Silva, 16, do segundo ano do ensino médio do Colégio Nossa Senhora das Graças, em Fortaleza. Ela diz que o mais difícil desta edição foi não ter a companhia da equipe de forma presencial ao longo da disputa.

Rayra faz parte do grupo “Cogito ergo sum” (que significa “Penso, logo existo”, em português— expressão do filósofo e matemático francês René Descartes), formado também por Giovanna Carvalho Ribeiro e Maria Eduarda Avelino Bonfim, ambas de 16 anos, e liderada pelo professor Cleber Uchoa.

“Por causa da pandemia, tivemos que discutir as questões com o professor de forma digital. Mas isso é muito insignificante pois muita gente teve problemas maiores ao longo dessa edição. Muitos alunos não tinham acesso à internet, por exemplo”, explica ao O POVO.

Participando pela terceira vez na olimpíada, a jovem conta que a internet é importante não só para realizar os encontros com o professor orientador, mas também para pesquisar e aprofundar os temas tratados nas questões.

A estudante destaca ainda o orgulho de representar o Ceará na disputa nacional e garante que pretende retornar um dia como professora de História. “Eu amo o meu estado e representar ele assim, em uma olimpíada dessa magnitude, é surreal de uma maneira que eu nunca imaginei. O Nordeste é sempre muito bem representado por alunos de escola pública e privada”, conclui.

O sentimento também é o mesmo da estudante Letícia Pinto de Lima, 18, que cursa o terceiro ano do ensino médio na Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Dr. César Cals, em Fortaleza. Em sua primeira participação na olimpíada, ela foi premiada com a medalha de bronze.

“Óbvio que existe uma certa pressão para provar e mostrar que aqui existem pessoas inteligentes e dedicadas, que quando corremos atrás conseguimos alcançar nossos sonhos, além de mostrar a força do Ceará, mostrar o poder da escola pública”, descreve.

A aluna pontua agradecimentos à escola, que incentivou a entrada na competição, e ressalta o apoio do professor orientador Acácio Simões. Além de Letícia, compõem a equipe “The Crown" (“A Coroa”, em português) os estudantes Bianca Dieb e Guilerme Sales, de 18 anos.

De acordo com Letícia, as etapas vividas na olimpíada foram muito bem aproveitadas e repletas de aprendizado, mesmo que à distância, como parte das adaptações necessárias em decorrência do momento pandêmico.

“Apesar de termos conseguido fazer reuniões virtualmente, senti falta de debater pessoalmente com meus colegas de equipe, professores orientadores e também outros colegas de escola que participaram da olimpíada. Sinto que teria sido ainda mais proveitoso se tivesse ocorrido presencialmente”, acrescenta.


Conquista coletiva

De acordo com os professores orientadores Cleber Uchôa e Acácio Simões, o trabalho interdisciplinar desenvolvido pelas escolas foi fundamental para alcançar a premiação. “Os momentos de orientação e bate-papo sobre as questões eram feitos com todas as equipes e os professores de História da escola e, por vezes, com professores de outras áreas, como Sociologia e Língua Portuguesa”, conta Acácio.

O docente reforça também o reconhecimento e apoio do núcleo gestor da escola como fatores decisivos para a conquista, somando a isso a determinação dos alunos, divididos entre atividades domésticas e escolares nas aulas remotas. Na escola onde trabalha, a EEFM Dr. César Cals, 13 equipes estiveram nas fases finais e duas delas na grande final, conquistando uma medalha de cristal (por ser finalista) e outra de bronze.

Reiterando o trabalho conjunto entre os colegas de outras disciplinas, o professor Cleber, do Colégio Nossa Senhora das Graças, também ressalta que os resultados do Nordeste geralmente são representativos na competição. Ele participa da olimpíada desde 2009 orientando grupos de alunos.

“Lembrando que escolas particulares ganham, mas o institutos federais também ganham muito. Acredito que essa política pública dos últimos 15 ou 20 anos dos institutos federais surtiu um efeito enorme. Temos institutos federais espalhados pelo Nordeste em locais onde o poder público quase não chega”, comenta.

Adaptações

Uma das mudanças realizadas pela ONHB em 2020 foi a criação da “fase zero”, que teve caráter experimental para adaptação à plataforma e novos prazos no novo formato da competição. Segundo os organizadores, a plataforma da prova também foi adaptada para uma tecnologia que facilitava a navegabilidade pelo celular e reduzia, ao máximo, o uso de dados.

Ocorreram seis fases online, com duração de uma semana cada. Em geral após essas etapas, a final é realizada na Unicamp, em São Paulo. Desta vez, a última fase foi também à distância. As questões de múltipla escolha e realização de tarefas foram respondidas pelos participantes por meio de debate com os colegas, pesquisa em livros, internet e orientação do professor.

Os temas eram abordados a partir de documentos históricos, imagens, mapas, textos acadêmicos, pesquisas inéditas e debates historiográficos.