Primeiro julgamento de fraude em cotas raciais da USP decide expulsar estudante
Comissão responsável pelo processo avaliou que estudante não tinha o fenótipo informado na matrícula; houve divergências também na renda familiar declarada
21:43 | Jul. 13, 2020
A Universidade de São Paulo (USP) anunciou nesta segunda-feira, 13, o desligamento de um estudante do curso de Relações Internacionais por fraude na obtenção de vaga por cotas. A denúncia partiu do Coletivo de Negras e Negros do Instituto de Relações Internacionais da USP, e foi averiguada pela Comissão de Acompanhamento da Política de Inclusão da universidade.
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Em nota, a instituição disse que "não foi possível constatar a conformidade de suas características fenotípicas com a autodeclaração" de pertencimento à categoria "pretos, pardos e indígenas" (PPI), utilizada para concessão de cotas raciais. O estudante também apresentou, para obtenção da vaga, o critério de renda, que se verificou igualmente falso. A comissão responsável elaborou relatórios que foram encaminhados à Congregação do Instituto de Relações Internacionais (IRI), responsável pela decisão final.
Segundo a Folha de S. Paulo, o estudante alegou ter avós negros e receita familiar de R$ 4.000 dividida entre quatro pessoas — que se enquadraria nos critérios de renda adotados pela instituição. Em ambos os casos, porém, ele falhou em apresentar documentos que comprovassem a adequação às cotas.
Com o desligamento, o estudante fica impedido de concorrer a vagas na USP por cinco anos. Foi a primeira decisão do tipo desde que a universidade passou a adotar o sistema de cotas, em 2017.