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Chefe da Apex se torna a primeira baixa do governo Bolsonaro

| demissão | Alex Carreiro trabalhou normalmente ontem desafiando o ministro das Relações Exteriores, que havia anunciado a saída de Carreiro no dia anterior

01:30 | 11/01/2019
BOLSONARO recebeu ontem Vilalva e Araújo no Palácio do Planalto REPRODUÇÃO TWITTER
BOLSONARO recebeu ontem Vilalva e Araújo no Palácio do Planalto REPRODUÇÃO TWITTER

Dez dias depois da posse, o governo Jair Bolsonaro (PSL) demitiu ontem o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alex Carreiro, que será substituído pelo embaixador Mario Vilalva.

 

A primeira baixa num posto de comando do Executivo federal foi confirmada pelo próprio Bolsonaro após Carreiro desafiar o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O chanceler havia anunciado a exoneração no dia anterior, mas o presidente da Apex trabalhou normalmente ontem com a alegação de que só Bolsonaro poderia demiti-lo.

 

O episódio gerou desgaste para Araújo. Na noite de quarta, 9, o ministro anunciou no Twitter que Carreiro havia pedido demissão e seria substituído por Vilalva. O comunicado foi contestado pelo presidente da Apex. Inconformado, ele permaneceu no cargo e obrigou Bolsonaro a divulgar nota confirmando a demissão.

 

O presidente utilizou o Twitter para divulgar que havia recebido Vilalva e Araújo no Palácio do Planalto. A imagem foi publicada por Bolsonaro juntamente com a mensagem: "Recebi hoje o embaixador Mário Vilalva, indicado pelo Chanceler Ernesto Araújo para o cargo de Presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex)".

 

A demissão ocorreu em meio à tentativa do governo de superar divergências entre os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia) e depois da polêmica em torno da promoção de Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para o cargo de assessor especial da presidência do Banco do Brasil.

 

Em sua mensagem na noite de quarta, o ministro das Relações Exteriores escreveu que Carreiro havia solicitado "o encerramento de suas funções como presidente da Apex".

 

A exoneração, no entanto não teria ocorrido a pedido de Carreiro, mas por uma iniciativa do chanceler, provocada por pressões de dirigentes da agência descontentes com dezenas de demissões nestes dias.

 

Interlocutores de Carreiro dizem que ele teria se reunido com Araújo para reclamar de outra indicação de Bolsonaro para a agência: a diretora de Negócios, Letícia Catellani, que atuou como assessora de Araújo durante a transição de governo.

 

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, Letícia ficou descontente com o fato de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana no governo. Ela, conforme relatos, queria reverter as exonerações.

Procurado, o Itamaraty disse que não comentaria o caso. A Presidência da República não respondeu. 

 

(Agência Estado)

 

APEX 

 

Em nota oficial, a Apex destacou que Carreiro fora nomeado por Bolsonaro - portanto, não pelo ministro. A Apex informou que ele cumpriu expediente ontem na agência, contrariando a demissão anunciada pelo ministro.