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Congresso decide futuro de Temer e Aécio

Sessão ocorre em meio a "turbilhão" no Congresso, que inclui tensões entre Michel Temer e Rodrigo Maia e votação sobre afastamento de Aécio Neves. Em carta divulgada ontem, o presidente fala até em conspiração

01:30 | 17/10/2017

Em meio a uma escalada de tensões entre Michel Temer (PMDB) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), começa hoje votação da 2ª denúncia contra o presidente da República na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. No mesmo dia, Senado vota se mantém afastamento de Aécio Neves (PSDB), determinado pelo STF.

Com promessa de se estender até amanhã, sessão na CCJ analisará parecer de Bonifácio Andrada (PSDB-MG) que pede rejeição da denúncia contra Temer.

Segundo o tucano, ação apresentada pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é “claramente duvidosa” e não cumpre diversos requisitos legais. Deverão ser discutidas ainda questões como o fatiamento da ação para os outros 8 acusados na denúncia, incluindo os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

A votação do parecer ocorre em momento político delicado no Congresso, logo após nova tensão entre Temer e o presidente da Câmara motivada por divulgação de vídeos da delação de Lúcio Funaro pela Câmara.

Sem saber que a veiculação teria ocorrido pela página da Câmara, o advogado Eduardo Carnelós, da defesa do peemedebista, classificou a ação como “vazamento criminoso”. Em resposta, Maia divulgou nota rebatendo a fala e chamando o defensor de “incompetente”.

Na tarde de ontem, Temer divulgou carta de quatro páginas se defendendo da denúncia. O documento foi enviado para parlamentares.

“É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo”, diz o presidente.

Na carta, Temer prega “pacificação” e se diz “vítima” de “torpezas e vilezas”. “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República.”

O presidente também volta a fazer críticas duras a Janot, afirmando que o ex-PGR teria “combinado” acusações contra ele com Joesley Batista. “Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de: livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o Presidente da República”, afirma.

Na Câmara, a maioria dos deputados cearenses na CCJ ainda “esconde o jogo” sobre votação. Entre os quatro parlamentares, apenas Domingos Neto (PSD) admite que deve votar contra denúncia. Ao O POVO, o deputado evitou antecipar detalhes do voto, mas confirmou que tendência do partido é orientar pela rejeição da ação.

CARLOS MAZZA