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A semana mais longa de Temer

01:30 | 13/09/2017

Henrique Araújo, editor-adjunto de Conjuntura

 

De imediato, a autorização do Supremo para investigar o presidente Michel Temer tem dois efeitos importantes: o primeiro é o legado que fica para a sucessora de Rodrigo Janot no posto, Raquel Dodge, a cargo de quem estará a partir de agora a apuração dos indícios de crime praticados pelo peemedebista no caso do Porto de Santos. Assim que assumir o comando da PGR, Dodge não terá descanso: além de avaliar delações e eventualmente decidir sobre arquivamentos e revisões de benefícios concedidos a colaboradores na Operação Lava Jato, a futura procuradora-geral da República precisará abrir uma nova frente de batalha contra o presidente. Dessa frente resultará ou não o oferecimento de uma denúncia, o que será o primeiro episódio no qual se confrontarão Temer e a sua indicada para a chefia da PGR - não custa lembrar que Dodge foi pinçada da segunda posição da lista tríplice, encabeçada por um desafeto do peemedebista. O outro ponto é que o novo inquérito se soma à provável segunda peça que Janot pode apresentar contra Temer ainda nesta semana, finda a qual o procurador deixará os trabalhos à frente da PGR. Mais robusta que a primeira denúncia, rejeitada por aliados do presidente na Câmara a custo de liberação de emendas e troca-trocas na Esplanada, a acusação fundamenta-se em sete delações premiadas, entre as quais as de Lúcio Funaro e de Joesley Batista. É, portanto, de uma solidez maior, que irá requerer da base articulação mais ampla. É aí que a nova investigação autorizada por Barroso fragiliza Temer: ela alcança o presidente num momento de reorganização de suas tropas para anular as flechas de Janot. Com o Supremo passando a arqueiro também, é certo que o chefe do Executivo encontrará dificuldades

imensas para se defender. As próximas horas dirão mais sobre o futuro de Temer do que os últimos meses.