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Janot denuncia Renan, Jucá, Machado e mais 6

A procuradoria-Geral da República aponta pelo menos nove envolvidos no sistema de corrupção na Transpetro. A base da denúncia é a delação premiada formalizada com o cearense Sérgio Machado
01:30 | Ago. 26, 2017
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A menos de um mês de deixar o cargo, o procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB), além dos senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) e Valdir Raupp (PMDB-RO).


A denúncia se estendeu ainda a outras quatro pessoas, entre elas o cearense Sérgio Machado, por suposta participação em esquema de corrupção na Transpetro. A PGR aponta que os políticos denunciados teriam cometido crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e os empresários, de corrupção passiva.

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A denúncia da Janot tem como base a delação premiada de Machado, de Fernando Reis, executivo da Odebrecht Ambiental, e de Luiz Fernando Maramaldo, sócio da NM Engenharia. Os três foram denunciados junto com Nelson Cortonesi Maramaldo, outro sócio da NM Engenharia.

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Machado afirma que parlamentares receberam, como doação oficial, repasses com recursos de vantagens indevidas pagas por empresas contratadas pela Transpetro, que constituiriam propina na avaliação da PGR.

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Renan Calheiros e Sergio Machado, de acordo com Janot, “ajustaram o pagamento da vantagem indevida por meio de doações efetivadas a diretórios estaduais ou a diretórios municipais do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 2008 e em 2010”.


Luiz Fernando Nava Maramaldo também trouxe elementos utilizados na denúncia, afirmando que a empresa dele fez a alguns parlamentares doações oficiais que, na verdade, eram propina - dinheiro desviado de contratos da empresa com a Transpetro. “Luiz Fernando Nave Maramaldo reafirmou todo o funcionamento do esquema espúrio instalado na Transpetro e controlado por Sérgio Machado”, afirmou Janot.


O procurador-geral afirma que “o esquema criminoso na Transpetro apresentava o mesmo desenho estrutural e finalidades daquele estruturado no âmbito da Petrobras”.

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“Os dados mostram que os estados de alguns dos membros do PMDB que são alvo da Operação Lava Jato receberam em 2010 e em 2014 recursos em montante desproporcional ao tamanho do eleitorado. Por outras palavras, os Estados de domicílio eleitoral desses investigados ou denunciados, e não os de maior eleitorado, receberam os maiores volumes de recursos”, afirma Janot.


Na denúncia, a PGR pede também a reparação à Transpetro dos danos materiais causados por suas condutas e dos danos morais transindividuais, e a decretação da perda da função pública dos condenados detentores de cargo, emprego público ou mandato eletivo, principalmente por terem agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade.

com Agência Estado

 

 

 

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Todas as denúncias foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Lá, o relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, deverá ouvir as defesas e liberar um relatório sobre a denúncia.


O procurador-Geral da República Rodrigo Janot deixa o cargo no dia 17 de setembro. Até lá se espera pelo menos mais duas denúncias contra o presidente Michel Temer: por organização criminosa e obstrução de justiça.


Procurada, a assessoria de imprensa do senador peemedebista Valdir Raupp (RR) afirmou que ele “jamais tratou sobre doações de campanha eleitorais junto a diretores da Transpetro ou quaisquer outras pessoas até porque não foi candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2012 e 2014”.


“Essas citações feitas por delatores envolvendo o seu nome e a Transpetro são inverídicas e descabidas”, afirmou em nota o senador do PMDB, Valdir Raupp.

 

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