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Lúcio e Geddel investigados na Lava Jato

Juiz determinou abertura de inquérito para investigar participação de seis pessoas na obra no Ceará. Esquema teria permanecido até 2012
01:30 | Jun. 16, 2017
Autor Isabel Filgueiras
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Tipo Notícia

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Por decisão do juiz federal substituto Danilo Dias Vasconcelos, o ex-governador do Estado Lúcio Alcântara e o ex-ministro de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, devem ser investigados pela Polícia Federal no Ceará. A suspeita é de que eles tenham recebido propina durante a construção do Sistema Adutor Castanhão.

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De acordo com as delações dos ex-executivos da Odebrecht Ariel Parente Costa e João Pacífico, o esquema, que teria fraudado licitação para construção da adutora, começou em 2005 e se estendeu até 2012. O desvio incluiria também dois ex-secretários do Estado, o já falecido Edinardo Ximenes, ainda do governo de Lúcio, e seu sucessor na pasta César Pinheiro, nomeado por Cid Gomes.

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O magistrado também ordenou investigação do engenheiro Marco Antônio Antônio Araripe, que era uma espécie de assessor informal do procurador da República Alessander Sales. O engenheiro tinha por função evitar que a Procuradoria “criasse dificuldades”, disse o delator. Parente Costa acrescenta que o procurador não sabia do acerto da empreiteira com Araripe. Alessander Sales não está entre os investigados.

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Em seu despacho, o juiz determinou ainda a suspensão do segredo de justiça do caso e negou pedidos do Ministério Público Federal (MPF), que tinha solicitado que a parte da investigação relacionada ao engenheiro fosse conduzida pela Procuradoria internamente. O MPF também pediu que a Justiça extinguisse a punibilidade de Lúcio Alcântara, por prescrição do suposto crime, e de Edinardo, por já haver falecido. Dias considerou “prematura a manifestação de afastar das investigações pessoas ou fatos específicos”.


O MPF havia sugerido ainda que a investigação de Geddel Vieira Lima fosse enviada a Brasília, onde ele exerceu o cargo à época do esquema, em 2005, quando ministro da Integração Nacional. O juiz entendeu que o processo deveria correr no Ceará.


Parente Costa e João Pacífico contaram que, em 2007, o então superintendente de Obras Hídricas (Sohidra) do Ceará, Leão Montezuma Filho, teria feito chantagem para receber propina de R$ 500 mil.


Conforme o depoimento dos ex-executivos, prestado em 2016, Lúcio Alcântara era conhecido pelo codinome “Zag” e também teria se beneficiado do esquema.


Procurado pelo O POVO, Lúcio disse que não comentaria o assunto. As defesas de César Pinheiro e Leão Montezuma esperam ter acesso ao processo para se manifestarem. A família de Edinardo Ximenes classificou a denúncia como “infâmia”.

 

Entenda o caso


Em 25 de novembro de 2005, foi publicado o edital de obras de adutora no Castanhão. O projeto começou com orçamento de R$ 314,3 milhões. Consórcio formado por Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez venceu a licitação.


As empresas tiveram acesso ao edital antes da publicação e fizeram modificações para se beneficiar, segundo o ex-executivo da Odebrecht Ariel Costa Parente. Ele disse ainda que houve negociações com outras empresas de construção para combinar o resultado do certame.


Então secretário de Recursos Hídricos, Edinardo Ximenes pediu pagamento de 0,3% dos valores recebidos pelas empresas e seu sucessor, César Pinheiro, teria se beneficiado do mesmo acordo, dois anos depois.

 

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