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Após críticas de FHC, tucanos reavaliam apoio a Michel Temer

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediu "gesto de grandeza" de Temer pela segunda vez e abriu nova discussão no partido sobre permanência no governo. Há outra reunião marcada para discutir "fatos novos"
01:30 | Jun. 17, 2017
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Fiel da balança do governo Michel Temer, o PSDB segue em dividido e pode reavaliar nos próximos dias se fica ou deixa a gestão do PMDB. O partido já havia deliberado pela permanência na base na última terça-feira, 13, mas pode mudar de posição após falas de caciques tucanos.

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Entre o discurso da “responsabilidade com o País” e a dificuldade de defender um governo impopular e investigado por graves denúncias de corrupção, a legenda segue em alerta e já tem nova reunião marcada na próxima semana para discutir os “fatos novos”.


Pela segunda vez, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, voltou a sugerir ontem, por meio de nota, a renúncia do presidente Temer. Dessa vez, porém, defendeu eleições gerais caso não haja “aceitação generalizada” da ordem vigente, que é “legal e constitucional”.

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“Ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto”, escreveu.


As palavras do tucano repercutiram internamente. “Naquela grande reunião ficou deliberado que a cada dia vamos avaliar o quadro real. A opinião do Fernando Henrique é de uma pessoa que tem trânsito e é importante, não deixa de ter credibilidade”, argumentou o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB).

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Um deputado da base do governo confessou que as palavras do ex-presidente causam preocupação porque FHC “é uma pessoa de muita credibilidade” no partido. “Só pode preocupar porque o presidente precisa de apoio para as reformas, e tem também esse impeachment. Dizer que não preocupa é querer se enganar”, revelou.

Cenário

Para os tucanos Guilherme Coelho (PE) e Eduardo Barbosa (MG), ouvidos pelo O POVO, o quadro de apoio ao Palácio do Planalto, porém, não deve mudar em razão das declarações do ex-presidente da República.

 

“Eu sou favorável a isso (renúncia) e acho que ele (Temer) deveria ter feito isso já. Mas é uma posição minoritária dentro do partido”, afirmou o deputado mineiro. Segundo ele, as posições de diversas lideranças já estão “muito claras” em relação ao assunto.


Mais conservador nas palavras, o deputado pernambucano pediu “bom senso e equilíbrio” ao partido nessa indecisão que contamina a legenda a cada novo escândalo de corrupção na gestão peemedebista.


“Nós temos que dar apoio nesse momento ao País, às reformas e, consequentemente, ao presidente”, defendeu. De acordo com o parlamentar, porém, a temperatura interna não deve mudar a partir das declarações de Fernando Henrique. “É um pensamento dele que a gente ouve e respeita”, diz Guilherme Coelho.


Saiba mais


Os tucanos foram pegos de surpresa com as declarações do ex-presidente. Integrantes da executiva avaliam que FHC “foi além do ponto”, classificaram como “ininteligível” a nota divulgada e preveem um acirramento ainda maior do debate interno.”A ideia de eleições gerais é inaplicável e contraria a Constituição em vigor”, disse o ex-governador José Aníbal, vice-presidente do PSDB.


Para os “cabeças pretas”, porém, a posição do ex-presidente fortalece a ala que prega o desembarque. A ala mais jovem do partido entende que a bandeira da antecipação pode ser adotada pelo PSDB em caso de deterioração da situação de Temer. “Se acontecer uma situação de ingovernabilidade, a antecipação da eleição direta é uma hipótese. Mas conversa com o PT é especulação”, afirmou José Aníbal.

 

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