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Após bate-boca, oposição ensaia reconciliação na AL-CE

Protagonistas de discussões nos últimos dias, os deputados estaduais Dra. Silvana e Leonardo Araújo, ambos do PMDB,pediram desculpas um para o outro na tribuna da Casa e articulam, nos bastidores, forma de reunificar bloco
01:30 | Jun. 14, 2017
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Depois de fim de semana de intensas trocas de acusações e de xingamentos em grupo do Whatsapp dos deputados estaduais, Dra. Silvana e Leonardo Araújo (ambos do PMDB) “fizeram as pazes” na tribuna da Assembleia Legislativa. Os pedidos públicos de desculpas, porém, não resolveram o impasse: nos bastidores, o parlamentar tentava reaver o cargo na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), enquanto Silvana se esquivava, tentando ganhar tempo para negociar a decisão com outros parlamentares.

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“Leonardo, se por algum momento eu tiver feito Vossa Excelência sofrer, eu peço perdão. Se Vossa Excelência quiser, eu também te dou meu perdão”, falou a deputada em discurso emocionado que abriu a sessão. Leonardo respondeu, afirmando que reconhece seus “excessos”. Na rede social, o deputado chegou a dizer que ela “fez pacto com o diabo”.


A discussão começou quando, apoiada por seis parlamentares do bloco PMDB-PSD-PMB, a Silvana foi alçada à liderança do bloco, destituindo Leonardo do cargo. O movimento, classificado pelo peemedebista como “golpe do Governo do Estado”, iniciou quando o governista Osmar Baquit (PSD) retornou à Assembleia. A deputada ainda trocou Leonardo por Baquit na relatoria da PEC da extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) na CCJ.

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Negociação

Os três partidos do bloco chegaram a enviar ofícios à Mesa Diretora da Assembleia solicitando o retorno de Leonardo aos cargos. A avaliação de deputados da Casa é que, após a pressão dos partidos, a deputada resolveu buscar uma reconciliação para manter-se na liderança.

 

Para isso, reuniu-se com o deputado Danniel Oliveira (PMDB), voz do senador Eunício Oliveira (PMDB) na Casa, para tentar articular um “acordo de paz”. Segundo ele, foi decidido que Silvana assinaria a recondução de Leonardo ao cargo na CCJ. “Nesse momento é restabelecida a ordem dentro do bloco, está resguardado o interesse dos partidos”, comemorou.

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Em entrevista, Silvana admitiu que poderia reconduzi-lo ao cargo, mas que antes teria de conversar com os deputados do bloco e tentar outra saída com o presidente da Assembleia Zezinho Albuquerque (PDT). “Vou lutar por uma vaga a mais para o nosso bloco na CCJ. Vou sugerir isso para buscar um diálogo de paz”, disse.


Embora tenha sinalizado que, se conseguir retornar à CCJ pode desistir de reaver liderança do bloco, Leonardo afirmou que está esperando resposta da Mesa Diretora aos ofícios enviados pelos partidos e que pode entrar na Justiça contra a destituição.


“Não comunicaram a mim e a outros três deputados que haveria essa eleição para a liderança. Quando não fomos chamados, quando foi feito na calada da noite, quando fomos surpreendidos de manhã com o documento, isso caracteriza um golpe”.


Já Silvana nega possibilidade recuar da liderança, mas afirma que se a maioria dos deputados votar contra ela, “terá tido um dia muito feliz de liderança”. Ela negou cooptação do Governo e disse que continuará fazendo oposição.


Bastidores


O clima na Assembleia denunciava que havia mais além dos perdões anunciados na tribuna. Após a sessão, nos corredores próximos aos gabinetes, Danniel Oliveira teve de correr para tentar convencer Silvana a assinar recondução de Leonardo Araújo e Odilon Aguiar (PMB) às comissões de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e de Orçamento, respectivamente.


A deputada, alegando que estaria atrasada para uma palestra marcada no município de Redenção, esquivou-se do documento, e prometeu assinar tão logo conseguisse falar com os outros membros do bloco.


Relator da PEC do TCM ao menos até assinatura de Silvana, o deputado Osmar Baquit (PSD) comandou audiência pública sobre a matéria na tarde de ontem e foi alvo de protestos contra extinção do órgão. A votação da PEC na Comissão estava marcada para hoje, mas decisão judicial suspendeu a tramitação. Em entrevista, ele afirmou que não recorreria caso Silvana o tirasse do cargo. “Se ela achar que tem que ser o Leonardo eu não vou recorrer a nada”, disse.

 

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