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Governo Temer inicia ofensiva para aprovar reforma

Diante da impopularidade da matéria, o Palácio do Planalto busca apoio dentro e fora do Congresso Nacional. Fechamento de questão dos partidos, opinião pública e entidades sociais são os principais alvos
01:30 | Mai. 06, 2017
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Numa verdadeira ofensiva para aprovar a reforma da previdência no Congresso Nacional, o presidente Michel Temer (PMDB) tenta “enquadrar” a base aliada e negociar em todas as frentes para obter apoio suficiente.


Depois de modificar alguns pontos do texto, por meio do relator da PEC na comissão especial da Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), o governo agora busca apoio de setores ainda contrários à matéria que deve ir a plenário nas próximas semanas.


Nessa ofensiva, interlocutores do Palácio do Planalto se movimentam para oferecer benefícios a empresas e produtores rurais com dívidas com o fisco para diminuir a resistência à medida.

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Uma comissão mista do Congresso já aprovou mudanças no novo programa de regularização de débitos fiscais. A nova versão amplia prazo das dívidas de 10 para 20 anos. Descontos de multas e juros podem chegar a 90%.


Parlamentares incluíram a possibilidade de parcelamento de R$ 26 bilhões e dívidas com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) com objetivo de atender à bancada ruralista. O objetivo é garantir os votos sem a necessidade de mais concessões ao texto da reforma aprovado na comissão.


Resistente à proposta previdenciária, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também é alvo da gestão peemedebista.

O ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy (PSDB), esteve em Aparecida para buscar apoio aos bispos católicos. Temer também conversou com o arcebispo italiano Dom Giovanni d’Aniello, representante diplomático da Santa Sé no Brasil.


Em mais uma movimentação pró-reforma, o ministro Imbassahy revelou, em declaração ao Blog do Camarotti, que o Planalto articula fechamento de questão dos partidos da base. A estratégia é evitar ao máximo infidelidade de aliados do governo.


“Isso (fechamento de questão) dá uma segurança maior, dá mais conforto até para o próprio parlamentar que as vezes tem uma dificuldade junto às suas bases”, disse o tucano.


Pauta impopular

Como se trata de mudança na Constituição, o governo precisa de maioria qualificada na Câmara e no Senado para aprovação do texto final.

 

Deputados e senadores da própria base de Temer sofrem pressão popular e se mostram resistentes para apoiar a medida. O governo, no entanto, não deve votar a matéria sem certeza de vitória. Por isso, há possibilidade de adiamento na votação.


Diante dessa resistência, Temer tem dado entrevistas e participado de programas populares na televisão para reduzir a rejeição.

 

Saiba mais


Pesquisa Datafolha, divulgada nessa semana indica que 71% dos brasileiros são contrários à reforma da previdência.


Entre os dias 15 e 19 de maio, sindicatos e movimentos sociais deverão “ocupar Brasília” em protesto contra as reformas trabalhista e da previdência. Na semana anterior, entre os dias 8 e 12, uma ofensiva pelos mesmos grupos deverá ser feita no corpo a corpo com os parlamentares em suas bases eleitorais.

 

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