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A última semana de Rodrigo Janot

01:30 | Set. 09, 2017
Autor Érico Firmo
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Érico Firmo Editor e Colunista
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Tipo Notícia

Na manhã da segunda-feira, 18, Raquel Dodge toma posse como procuradora-geral da República. Na prática, Rodrigo Janot tem mais uma semana no cargo. A julgar pela penúltima, novos terremotos políticos devem ter como epicentro a PGR. O mais óbvio e anunciado: a segunda denúncia contra Michel Temer (PMDB). Informações de bastidor apontam que deve ser composta por pelo menos sete delações premiadas. Será o ato final do procurador-geral. Ele quer que a ação seja consistente, amadurecida. Deverá ter impacto.


A penúltima semana de Janot atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF), o PT, o PMDB e a própria Procuradoria. O áudio de Joesley Batista mostrou a vulnerabilidade da PGR. A suscetibilidade a interferência e manipulação de investigados poderosos. O risco de denúncias virarem instrumentos políticos.


As denúncias contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) serviram à tentativa do procurador-geral de se fortalecer quando está no momento de maior fragilidade. Obviamente, não foi formulada da noite para o dia. Talvez tenha sido precipitada. Serve como preparativo à denúncia contra Temer. Um antídoto à crítica de direcionamento político.

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Não será surpresa, porém, se outros alvos forem escolhidos no ocaso da gestão Janot. No STF, no governo, na oposição. O bambu está acabando, mas o procurador-geral guarda para o fim suas flechas mais importantes.


PIONEIRISMO COMO ATESTADO DE ATRASO

Raquel Dodge será a primeira mulher a ocupar a Procuradoria Geral da República. Estatisticamente, não há justificativa para que tenha demorado tanto. Não há explicação que não passe pela estrutura machista do Estado brasileiro. A quantidade de mulheres supera a de homens em mais de seis milhões. A função é quase tão antiga quanto a República. O primeiro procurador-geral tomou posse em 1891, há 126 anos. Estamos em 2017, na segunda década do século XXI.

Aliás, o primeiro procurador-geral da República foi cearense. O sobralense José Júlio de Albuquerque, o barão de Sobral.


O FÉTIDO ENTORNO DE TEMER

Do grupo de cinco políticos mais próximos ao presidente Michel Temer (PMDB), só dois não têm foro privilegiado. Ambos estão presos. São eles Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). O primeiro foi preso em julho, ficou em detenção domiciliar e ontem voltou ao regime fechado após ser apanhado com a maior quantia em dinheiro jamais apreendida pela Polícia Federal. Alves foi preso em junho.

Os outros integrantes do “núcleo duro” de Temer são Romero Jucá, Eliseu Padilha e Moreira Franco. O primeiro é senador. Era ministro do Planejamento, mas caiu depois de ser flagrado na mais cabeluda das conversas gravadas por Sergio Machado. Padilha é o ministro-chefe da Casa Civil. Moreira Franco era secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sem foro privilegiado. Em fevereiro, foi nomeado secretário-geral da Presidência da República, com status ministerial. Os três têm foro privilegiado.


Os três respondem a inquéritos na Supremo Tribunal Federal (STF). Estariam em liberdade não fosse o foro privilegiado?


GEDDEL PODE SER O PALOCCI DE TEMER

Geddel Vieira Lima foi preso na investigação sobre fraudes no período em que era vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013, no primeiro governo Dilma Rousseff (PT). Não se sabe ao certo se os R$ 51 milhões apreendidos em apartamento dele são ligados a esse esquema, nem se pertencem a ele, apenas. Dificilmente não fosse esquema que envolvesse mais gente graúda.

Não há elementos, ainda, para ligar o dinheiro a Temer. Mas, próximo como

Geddel é ao presidente, ele certamente sabe muito do que pode ter sido feito de errado pelo homem do terceiro andar do Palácio do Planalto.

Antonio Palocci (PT) atingiu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de modo como nenhum outro tinha feito antes. Geddel, assim como Henrique Alves, tem potencial para fazer o mesmo com Temer. O ex-ministro petista não fez o que fez por gosto. O tempo que já passou na prisão e o que ainda pode passar foram determinantes para que lançasse Lula aos leões. Geddel voltou à cadeia, onde Alves já está há três meses.

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