Abel Braga é suspenso por cinco jogos por fala homofóbica em apresentação no Inter

Treinador também recebeu multa no valor de R$ 20 mil

15:36 | Fev. 12, 2026

Por: Iara Costa
Abel Braga deu declarações homofóbicas em sua chegada ao Internacional (foto: Ricardo Duarte / SC Internacional)

O técnico do Internacional, Abel Braga, foi suspenso nesta quinta-feira, 12, por cinco jogos e recebeu uma ainda uma multa no valor de R$ 20 mil pela 6ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por uma declaração homofóbica. 

O caso, enquadrado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) — que trata de práticas discriminatórias relacionadas à orientação sexual e outras formas de preconceito — ocorreu durante a coletiva de reapresentação do treinador no Colorado.

Na ocasião, Abel teria dito que uniforme rosa utilizado pelo clube em treinamento pareceria "time de viado". Com a repercussão negativa da fala, ele chegou a salientar dias depois que se tratava apenas de "uma brincadeira" e que "quem perde um filho não é homofóbico", fazendo alusão à morte do próprio filho que havia ocorrido em julho de 2017, em um acidente doméstico. 

"Eu fui relatar uma brincadeira que aconteceu no treinamento e isso criou uma polêmica muito grande. Então, eu já me desculpei, não deveria ter falado absolutamente nada naquele momento. Só quero que vocês entendam uma coisinha, preciso fazer esse parênteses porque é a minha vida. Eu perdi um filho com 19 anos. Quem pede um filho não é homofóbico. Quero que vocês entendam isso. Foi uma brincadeira que eu fui o juvenil, não devia ter falado nada ali e pronto, aquilo passava", frisou o técnico carioca.

Além da repercussão negativa nas redes sociais e imprensa, o foi formalizado ao STJD pelo Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, que nesta quinta-feira, 12, avaliou a decisão de maneira favorável no combate institucional à discriminação no esporte.

“Essa é uma decisão importante, que reforça mais uma vez a postura antidiscriminatória do STJD e aprofunda a luta contra a LGBTfobia recreativa no futebol brasileiro. O futebol não pode continuar tratando a violência como piada. Quando uma autoridade do esporte reproduz esse tipo de discurso, ela legitima um ambiente hostil e perigoso para milhares de pessoas”, salientou Onã Rudá, fundador e presidente do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+.