Fifa busca combater ataques contra jogadores nas redes sociais
De acordo com levantamento realizado em parceria com a FIFPro, maioria dos insultos contra atletas são de caráter homofóbico (40%) e racista (30%), sendo realizados por usuários do próprio país
18:59 | Jun. 18, 2022
A cinco meses da Copa do Mundo do Catar 2022, a Fifa comunicou que está em busca de combater os ataques sofridos pelos jogadores durante as partidas por suas seleções. Em comunicado neste sábado, 18, a entidade afirmou que deve atuar em parceria com a FIFPro (sindicato dos jogadores profissionais) para inibir o ódio destilado nas redes sociais.
A Fifa publicou dados de um estudo realizado por meio de inteligência artificial que analisou mais de 40 mil publicações em redes sociais durante as fases de semifinais e final dos torneios de seleções Uefa Euro 2020 e Copa Africana de Nações 2021. O levantamento revelou que mais de 50% dos jogadores foram alvo de algum tipo de insulto discriminatório.
A maioria desses são de caráter homofóbico (40%) e racista (30%), muitos dos quais permanecem publicados ainda hoje nas plataformas. Grande parte dos usuários são do próprio país dos jogadores atacados.
Como forma de combate a esses comportamentos, Fifa e FIFPro devem colocar em funcionamento um serviço de moderação para jogadores tanto do futebol masculino como feminino para reconhecer termos ofensivos. Ainda não foi explicado como funcionará tal serviço, mas este deve assinalar os comentários ofensivos, diminuindo sua visibilidade e alcance para outras pessoas.
“Temos a obrigação de proteger o futebol e isso começa pelos futebolistas, que tanta alegria e felicidade nos dão com suas proezas dentro do campo de jogo”, declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
“Lamentavelmente, está surgindo uma tendência de uma porcentagem inaceitável de publicações nos canais de redes sociais dirigidas a jogadores, treinadores, comissão técnica e as próprias equipes, e esta forma de discriminação não tem espaço no futebol, como nenhuma outra”, complementou o dirigente.
Infantino ainda disse reconhecer a importância de se posicionar contra ataques contra os jogadores, seja nas redes sociais, seja nos estádio, e por isso a Fifa deve buscar medidas concretas para combater esse problema. “Esperamos que as plataformas de redes sociais façam o mesmo e nos apoiem ativamente para serem parte da solução”, finalizou.
Presidente do FIFPro, David Aganzo afirmou que os insultos sofridos por atletas e quem trabalha com o futebol têm efeitos muito grandes tanto individualmente, como para “sua família, seu rendimento e sua saúde e bem-estar geral”.
“Os insultos proferidos na internet são um problema da sociedade e do nosso setor. Não podemos aceitar que esta nova forma de ofensas e discriminação que afeta tantas pessoas, incluindo nossos jogadores”, declarou o representante dos atletas.