Justiça vai investigar São Paulo por lavagem de dinheiro e crime organizado

01:15 | Jan. 16, 2026

Por: O Povo

Às vésperas da votação que pode determinar o afastamento do presidente Júlio Casares, a investigação que apura o suposto esquema de desvio de verba no São Paulo foi remetida à uma Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores. A informação foi divulgada pelo Uol e confirmada pelo Estadão. A remessa teve a anuência do Ministério Público (MP-SP), que recentemente intensificou a investigação por meio da criação de uma força tarefa.

A Polícia Civil de São Paulo investiga a retirada de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do São Paulo por meio de 35 saques na boca do caixa — o que dificulta o rastreio dos valores —, ocorrido entre 2021 e 2025, período em que vigora a gestão de Casares. De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as movimentações foram consideradas atípicas pelos bancos em que o dinheiro estava depositado.

Conforme apontam os advogados do clube tricolor, os valores teriam sido destinados a "compromissos rotineiros do futebol que exigem dinheiro em espécie".

A investigação também analisa o depósito de R$ 1,5 milhão na conta de Casares entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Segundo o relatório do Coaf, o ingresso dos valores ocorreu por meio de 132 operações, também na boca do caixa, e a movimentação foi considerada atípica pelo fato de o montante movimentado não corresponder à remuneração mensal de Casares como presidente (R$ 27,5 mil), função que exerce de maneira exclusiva.

Bruno Borragine, que integra a defesa de Casares, garante que o montante tem origem lícita e argumenta que serão demonstrados origem, lastro e finalidade das quantias.

O Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne nesta sexta-feira, 16, para votar o impeachment de Júlio Casares. (Agência Estado)