Justiça vê indícios de lavagem de dinheiro no São Paulo
Magistrados enviaram investigação do caso para Vara Especializada em Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado
15:03 | Jan. 15, 2026
O São Paulo passará a ser investigado em uma Vara Especializada em Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado. Juízes que acompanhavam o caso identificaram indícios considerados fortes da prática de crime de lavagem de capitais no clube. O “Uol” publicou as informações.
Os magistrados concluíram que as operações financeiras ligadas ao clube teriam sido estruturadas e contínuas, causando prejuízos ao São Paulo enquanto instituição. Assim, diante da complexidade e da gravidade do caso, os juízes enviaram o processo a uma instância especializada, com experiência em crimes financeiros e organizações estruturadas.
O Ministério Público, por meio dos promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan, que atuam em força-tarefa, concordou com a remessa do caso. O aval do MP ainda reforçou a análise de que os indícios ultrapassam as irregularidades administrativas ou financeiras comuns, apontando para possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
Vale destacar que a mudança de vara permitirá aprofundar as investigações sob o clube neste momento. A partir de agora, autoridades especializadas devem analisar detalhadamente contratos, fluxos financeiros e vínculos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao clube.
São Paulo na justiça: entenda a crise institucional que atravessa o clube
Nas últimas semanas, o São Paulo se viu em meio a inúmeros escândalos administrativos. Os mais recentes se referem a uma investigação da Polícia Civil que investiga mais de 30 saques realizados nas contas do clube entre 2021 e 2025. O valor total das retiradas é de R$ 11 milhões. Paralelamente, outra investigação, que apura depósitos feitos em dinheiro na conta do presidente do clube, Julio Casares, também é conduzida. Vale destacar que ainda não há relação comprovada entre os dois fatos.
Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeira) considerou as movimentações suspeitas. Desde então, a defesa do São Paulo contratou um perito para reunir comprovantes de como o clube retirou os valores das contas. Casares afirmou que o clube usou o dinheiro para pagar premiações aos atletas, além de cobrir outras despesas operacionais relacionadas a jogos.
Com tantas suspeitas sobre a gestão, a pressão sobre o mandatário do clube cresceu. Assim, Casares pode ser afastado ainda esta semana. Isso porque o Conselho Deliberativo do clube se reúne nesta sexta-feira (16) para analisar o prosseguimento do processo de impeachment do dirigente. Para que o processo avance e vá para apreciação dos sócios, são necessários 171 votos de 254 conselheiros.
A votação acontecerá em modelo híbrido, presencial e online. Em caso de aprovação, o presidente é afastado imediatamente e o vice-presidente, Harry Massis Júnior, assume o cargo até o final do ano, quando ocorrem novas eleições.
Ao mesmo tempo, em caso de afastamento de Casares, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, tem até 30 dias para convocar uma assembleia-geral de associados do clube para votar a destituição definitiva do dirigente. Maioria simples é suficiente para que Casares perca o cargo de forma definitiva.
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