Garrinsha se transforma na alegria do povo de Bangu

Sobrevivente de tragédia, haitiano do Bangu carrega no nome, na trajetória e nos pés uma história de resistência que atravessa fronteiras

10:45 | Jan. 15, 2026

Por: Jogada 10
Sobrevivente de tragédia, haitiano do Bangu carrega no nome, na trajetória e nos pés uma história de resistência que atravessa fronteiras (foto: Jogada 10)

A alegria do povo voltou. Bangu está em festa graças a ele, Garrinsha. Herói da vitória do Bangu sobre o Flamengo no Carioca, o haitiano carrega mais do que um nome histórico. Ele carrega  herança simbólica e uma trajetória marcada por sobrevivência, elementos que hoje se convertem em identificação direta com a torcida banguense.

O nome Garrinsha foi escolhido pelo pai, Joseph Garry, ex-jogador amador e admirador declarado de Mané Garrincha, ídolo eterno do futebol brasileiro. A referência nunca foi estética. Desde cedo, o pai associou o nome ao drible curto, à ousadia e à capacidade de decidir jogos improváveis — características que, anos depois, passaram a definir o estilo do filho dentro de campo.

Nascido em Cabaret, no Haiti, Garrinsha Estinphile, de 24 anos, teve a infância interrompida pelo terremoto de 2010, que devastou o país. Ele sobreviveu à tragédia, perdeu pessoas próximas e cresceu em um ambiente de instabilidade social e econômica. Ainda assim, manteve o futebol como projeto possível, sempre incentivado pelo pai.

A virada ocorreu por meio de um projeto social ligado ao Pérolas Negras, que oferecia formação esportiva e educacional a jovens haitianos. A partir dessa iniciativa, Garrinsha chegou ao Brasil em 2019, concluiu os estudos e passou a circular pelo futebol nacional até encontrar espaço no Bangu.

‘Não tinha como ser melhor’

No clube de Moça Bonita, porém, o atacante rapidamente construiu relação com a arquibancada. Velocidade, drible, enfrentamento individual e personalidade em campo fizeram com que o nome fosse cantado logo nos primeiros jogos. A identificação se consolidou com o golaço que garantiu o 2 a 1 sobre o todo poderoso Flamengo.

Desde a noite de quarta (14), a torcida do Bangu passou a tratá-lo como símbolo imediato do time: um jogador estrangeiro, de origem popular, que joga com atrevimento e entrega, traços historicamente valorizados pelo clube.

Após a partida, Garrinsha, inclusive, resumiu o momento vivido com simplicidade, reforçando o peso pessoal da conquista: “Não tinha como ser melhor. Trabalhei muito para viver isso e só posso agradecer.”

Garrinsha, aliás, transforma o que era apenas homenagem em identidade própria. Do Haiti ao subúrbio do Rio, ele confirma que o nome não pesa — entorta.

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