Falso profeta é preso por embolsar R$ 217 mil ao prometer título da Copa da África
Karamogo Sinayoko disse que usaria “poderes espirituais” para levar o Mali à final, mas a seleção foi eliminada pelo Senegal
12:52 | Jan. 14, 2026
Um homem que se autodenomina “profeta” foi preso em Bamako, capital do Mali, após arrecadar aproximadamente 30 mil libras esterlinas (cerca de R$ 217,7 mil) de torcedores ao prometer, de forma enganosa, que a seleção nacional conquistaria a Copa Africana de Nações. A prisão ocorreu depois da eliminação do Mali nas quartas de final, diante do Senegal.
Karamogo Sinayoko exigiu contribuições financeiras de seus seguidores e assegurou que utilizaria seus supostos poderes espirituais para garantir o sucesso da equipe. Inicialmente, suas declarações ganharam força quando ele afirmou ter recebido uma revelação divina prevendo a vitória do Mali sobre a Tunísia nas oitavas de final.
Naquela partida, o Mali ficou com um jogador a menos logo no início, buscou o empate no último minuto e avançou após vencer nos pênaltis. Diante do desfecho improvável, muitos torcedores passaram a acreditar que as previsões de Sinayoko eram legítimas.
“Após o jogo, toda a vizinhança foi à minha casa para comemorar. Pessoas de toda a cidade vieram me ver”, disse o próprio Sinayoko, ao relatar a repercussão do resultado.
Em seguida, ele prometeu repetir o feito nas quartas de final e, segundo relatos, chegou a jurar pelo Alcorão, o livro sagrado do Islamismo, que Mali avançaria no torneio. Porém, a seleção foi derrotada por 1 a 0 pelo Senegal e acabou eliminada da competição.
Com o resultado negativo, a confiança dos torcedores rapidamente deu lugar à revolta. Logo após o apito final, uma multidão se dirigiu à residência de Sinayoko e cerca de cem pessoas atiraram pedras e vandalizaram o imóvel.
‘Não sou Deus’
Diante da confusão, a polícia interveio, controlou a situação e prendeu o acusado. De acordo com as autoridades, Sinayoko agora responde por crimes cibernéticos, sob a acusação de charlatanismo e fraude.
“Sou Deus? Não sou Deus. Quando fiz meu trabalho e derrotamos a Tunísia, toda a vizinhança veio à minha casa para me celebrar”, disse Sinayoko ao ser detido.
“Fiz meu trabalho espiritual, mas Deus não o aceitou. Eu não sou Deus, fiz a minha parte, e Deus escolheu o contrário”, completou.
De acordo com pessoas próximas, Sinayoko é um ex-ativista político que se autoproclamou “profeta” da noite para o dia e fez fortuna.
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