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Violência se agrava em cenário pós-eleitoral no Quênia

12:52 | 12/08/2017
Oposição fala em 100 mortos e acusa polícia de esconder corpos. Incidentes violentos ocorrem desde o anúncio oficial de vitória do presidente Uhuru Kenyatta nas eleições realizadas na última terça.A violência pós-eleitoral no Quênia se agravou neste sábado (12/08) em meio a protestos contra a reeleição do presidente queniano, Uhuru Kenyatta. A oposição fala em 100 mortos nos confrontos que ocorrem desde sexta depois do anúncio oficial da vitória de Kenyatta com 54,27% dos votos nas eleições presidenciais.

O porta-voz da coalizão opositora Super Aliança Nacional (NASA, na sigla em inglês), James Orengo, disse que os corpos foram retirados das ruas para evitar que o "massacre" seja revelado à opinião pública. Entre os mortos, estariam dez crianças.

Já o governo do Quênia negou que haja mortos e assegurou que os incidentes violentos foram "isolados" e provocados por "criminosos" que receberam uma resposta "apropriada" por parte da polícia. Segundo o ministro do Interior, Fred Matiang'i, tudo são "rumores e mentiras".

Nos protestos, a polícia tem utilizado bombas de gás lacrimogêneo e disparados tiros de arma de fogo contra os manifestantes. A polícia também tem impedido o acesso de jornalistas aos locais onde estão ocorrendo os protestos.

Um funcionário de um necrotério na capital Nairóbi relatou que nove corpos com marcas de tiro foram levados ao local. Há também relatos de que a polícia atacou uma caravana da oposição.

Já a Comissão de Direitos Humanos do Quênia contabilizou 24 mortos desde as eleições de terça; a maior parte ocorreu na capital Nairóbi.

A oposição alega que houve fraude no pleito realizado na última terça-feira e não reconheceu o resultado. O líder e candidato da oposição, Raila Odinga, ficou com 44% dos votos.

Orengo reiterou que a coalizão opositora não vai recorrer aos tribunais para impugnar o resultado das eleições, e insistiu que o novo governo deve ser julgado pelo "tribunal da opinião pública".

Nas eleições presidencias de 2007, o Quênia mergulhou em dois meses de violência que deixaram mais de 1.100 mortos e 600 mil deslocados depois de Odinga, que é ex-prisioneiro político e filho do primeiro vice-presidente do Quênia, ter rejeitado os resultados da eleição presidencial, alegando fraude.

Kenyatta pediu que apoiadores da oposição evitem uma repetição do cenário pós-eleitoral de 2007. "Nós vimos os resultados da violência política e eu estou certo de que nenhum queniano queira voltar para aqueles dias", declarou.

KG/efe/afp