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Lula e Dilma inauguram trecho da transposição cinco dias após Temer

Em evento com forte teor eleitoral, os ex-presidentes chamaram de "mentira" inauguração do mesmo trecho feita semana passada pelo presidente Michel Temer. Paternidade da obra provoca queda de braço entre PT e PMDB

01:30 | 20/03/2017
Trecho inaugurado pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff já havia sido entregue pelo presidente Michel Temer na semana RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
Trecho inaugurado pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff já havia sido entregue pelo presidente Michel Temer na semana RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA

Reacendendo polêmica em torno da paternidade da transposição do Rio São Francisco, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff “inauguraram” ontem trecho da obra em Monteiro, no Sertão da Paraíba. Em palco montado às margens da obra, os petistas chamaram de “mentira” inauguração do mesmo trecho feita semana passada pelo presidente Michel Temer (PMDB).

O evento, que contou com a presença de parlamentares petistas e do governador Ricardo Coutinho (PSB), acabou tomando fortes ares de campanha eleitoral. Em tom emotivo, o ex-presidente Lula se lançou na arena eleitoral de 2018 e criticou uma articulação pública com o objetivo de impedir seu retorno ao Palácio do Planalto.

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“Eu nem sei se estarei vivo para ser candidato em 2018, mas sei que eles querem evitar que eu seja candidato. Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato. Porque, se eu for, é para ganhar a eleição nesse País”, disse Lula, diante de milhares de pessoas que lotaram a cidade.

Por diversas vezes, Lula fez menções indiretas às suspeitas levantadas contra ele na Justiça, afirmando que ações buscam minar sua candidatura. “Vocês sabem o que estão tentando fazer com a esquerda nesse País, o que fizeram com a Dilma e estão tentando fazer comigo. Eu quero dizer que, se eles quiserem brigar comigo, vão brigar comigo nas ruas”, disse o ex-presidente, hoje réu em cinco ações penais.

Ao lado de Lula e do governador Ricardo Coutinho em um palco montado às margens da obra, Dilma disse que não haverá “tapetão” nas eleições de 2018.

“Não vamos permitir um segundo golpe. O objetivo deles é impedir que candidatos populares sejam colocados à disposição do povo. O Lula é esse candidato”, afirmou Dilma. “No tapetão, não”, completou a ex-presidente, dizendo que os brasileiros têm um encontro marcado com a democracia em outubro de 2018.

Paternidade da obra

O debate sobre a paternidade da transposição, uma das vitrines eleitorais dos governos petistas no Nordeste, gerou intenso debate entre petistas e peemedebistas na última semana.

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Michel Temer esteve na semana passada na inauguração da obra e afirmou que não quer ter a paternidade da transposição do Rio São Francisco. “Não quero a paternidade desta obra, ninguém pode tê-la. A paternidade é do povo brasileiro e do povo nordestino”, disse Temer, em uma indireta ao ex-presidente Lula, em cujo governo foi iniciada a construção do canal.

Apesar disso, na última quinta-feira, o porta-voz do Planalto, Alexandre Parola, defendeu participação da gestão Temer na obra. “A conclusão foi acelerada pelo presidente”, disse. (das agências)

Saiba mais

No Ceará, obras do eixo norte da transposição do São Francisco estão paralisadas desde junho do ano passado, depois que a construtora Mendes Júnior, que havia vencido a primeira licitação da ação, declarar incapacidade técnica e financeira para conclusão da obra.

O Eixo Norte da obra diz respeito ao trecho que percorre os municípios de Salgueiro (PE) até Jati (CE), no Sul cearense.

Segundo o deputado José Guimarães, o ex-presidente Lula “lamentou” que as obras continuem paradas, “mais de nove meses depois”.

No início do governo Michel Temer (PMDB), o governador Camilo Santana tentou articular retomada urgente da obra, com dispensa de licitação. O Ministério, no entanto, optou por abrir novo certame, em Regime Diferenciado de Contratação.