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Posso fazer exercício, doutor?

17:00 | 10/06/2017

MATEUS DANTAS
MATEUS DANTAS
 

Uma nova Diretriz divulgada por meio da revista Circulation, publicação oficial da American Heart Association (A.H.A.), uma das mais prestigiadas organizações médicas do mundo, levantou novamente o papel fundamental dos exercícios na melhora da saúde e na capacidade de funcional de pessoas com mais idade.

O artigo em si não acrescenta nenhuma novidade ao arrazoado sobre o tema, composto de centenas de publicações que demonstram de forma inequívoca os benefícios para saúde da prática regular de atividades física. O que chama a atenção é o protagonismo atribuído aos exercícios “dentro” de um plano terapêutico, especialmente para idosos com doenças cardiovasculares. Em resumo, os pesquisadores da A.H.A. recomendam que os exercícios devam fazer parte da rotina de seus pacientes, antes mesmo do controle da pressão arterial, colesterol e glicemia.

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Além disso, os autores enfatizaram a necessidade de os profissionais de saúde, notadamente os médicos, investigarem o declínio das funções físicas que criam barreiras ao movimento e acrescentar, entre suas orientações primárias, o treinamento da força e do equilíbrio, além dos já tradicionais exercícios aeróbios (caminhada, ciclismo, natação etc). Se esse pensamento for realmente incorporado entre os profissionais de saúde que lidam com o paciente idoso, penso que teremos uma redução significativa dos sintomas associados às doenças crônicas.

 

Infelizmente, a despeito de tanta informação qualificada, o sedentarismo ainda prevalece na população. Segundo pesquisa recente, 62,4% dos brasileiros não alcançam as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a quantidade de atividade física suficiente para impactar positivamente a saúde do praticante (150 minutos acumulados de atividade física com intensidade moderada, por semana, durante o tempo livre). É muita gente correndo risco...

Todos nós precisamos assumir uma parcela de responsabilidade no combate ao sedentarismo. Chega de orientações generalistas ou comportamento passivo nas clínicas, consultórios e hospitais, sempre esperando o paciente perguntar se deve ou pode fazer atividade física. Se exercício é intervenção primária para a prevenção/tratamento de tantas doenças e o profissional de saúde espera um desfecho favorável em relação à melhora do quadro clínico, é fundamental que a recomendação seja expressa, quase imperativa, de modo a deixar claro o papel dos exercícios na saúde daquela pessoa.

Um dos maiores expoentes em medicina do esporte e exercício, dr. Cláudio Gil Araújo defende no manual de prevenção cardiovascular, recente publicação da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro, que o médico, independentemente da especialidade, deve demonstrar claramente, com atitudes, prioridades e tempo de discussão durante a consulta, a urgência de abandonar o sedentarismo ou incrementar o tempo dedicado às atividades físicas, ou seja, não vale mais aquele comentário já no final da consulta:

- Não se esqueça de fazer exercício, hein?

Obviamente a prescrição dos exercícios, detalhando os parâmetros de treinamento específicos para cada indivíduo é prerrogativa dos profissionais de saúde que possuem habilitação legal e técnica para fazê-lo, principalmente o profissional de Educação Física, mas incluir no protocolo de atendimento informações sobre o nível de atividade física do paciente e, em caso de sedentarismo ou prática insuficiente, recomendar expressamente treinos supervisionados, baseados nas diretrizes das principais agências e sociedades científicas especializadas do mundo, deveria ser quase uma obrigação para todos os envolvidos com prevenção/tratamento de doenças crônicas.

Bons treinos!

Rossman Cavalcante