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As razões de Pecém escolher Roterdã dizem muito

17:00 | 18/03/2017

Porto do Pecém: memorando entre Ceará Portos e Port Rotterdam Internacional (PoRin) abre expectativa de grandes negócios
Porto do Pecém: memorando entre Ceará Portos e Port Rotterdam Internacional (PoRin) abre expectativa de grandes negócios
 

Em nenhum momento ficou muito claro o porquê de o Ceará optar pelo holandês Porto de Roterdã como parceiro para fazer do Porto do Pecém um hub regional de cargas. Decerto deve haver outros portos com know-how e possível interesse em operar o porto cearense. Mas, ainda que esta questão não tenha ficado clara, é bem verdade que trata-se de uma excelente escolha, tanto por questões econômicas como de geopolítica. Não se sabe se o Ceará inclui esta análise na decisão, mas ter Roterdã como parceiro não é penas ter uma grife. Implica aproximação com a União Europeia. Enquadrando o Ceará no mapa brasileiro, poder-se-ia observar que o Governo Temer não se alinha à política Sul-Sul do naufragado Governo Dilma, e ainda com a bandeira dos Brics. A aproximação pós-Dilma é com os EUA e a UE.

Caso mirasse apenas no tamanho, uma rota possível seria a China e o governador Camilo Santana e comitiva estariam embarcando para Xangai. No ranking dos 10 maiores portos do mundo, seis são chineses. Como tudo na China, os terminais também impressionam. Desde 2010, o maior porto do mundo é o de Xangai. Movimentou 36,5 milhões de contêineres em 2015. Nas contas da DW, três vezes mais do que Hamburgo, o maior da Alemanha. O germânico movimentou 137,8 milhões de toneladas de carga em 2015, em 8,8 milhões de contêineres padrão (TEU). Fica em terceiro como porto de contêineres da Europa e atracou na 19ª posição na lista dos maiores do mundo. Na China, o porto de Guangzhau, é o 7º do mundo. Foram mais de 17,5 milhões de contêineres movimentados ali em 2015.

Voltando à Roterdã, é o maior da Europa e o 12º maior do mundo. É imenso. Chega 42km a extensão da área portuária. É intenso. A movimentação de contêineres no ano passado cresceu 1,2% em relação ao ano anterior, atingindo 12,4 milhões de contêineres padrão. De todo modo, houve mais carga transportada para o Oriente e América do Norte, e menos para a América do Sul. 

 

OXIGÊNIO
Dinatec garante que é melhor ter a própria usina

O mercado é sábio. Para enfrentar a inflada concentração de mercado, a empresa paranaense Dinatec fabrica usinas de oxigênio para vender e alugar. De acordo com Tabosa Nogueira, o representante comercial da empresa em Fortaleza, a instalação e monitoramento de uma usina do tipo é simples. Fica entre R$ 100 mil e R$ 3 milhões. Tabosa fala em economia que pode chegar a até 50% em relação ao método tradicional. Ele tem ganhado a confiança de hospitais de maior porte, o principal portfólio para mostrar que vale a pena.. 

 

O TELEFONE
NA PONTA DOS DEDOS.
Há casos em que os tomadores de empréstimo em bancos públicos acabam tocando seus investimentos antes mesmo da liberação dos recursos. E por qual razão demora tanto? Um motivo é o medo dos executivos ante os órgãos de controle e as normativas do BC. Exemplo. No BNB, certa vez, um empréstimo não andou porque faltava o número do telefone do cliente no cadastro. É sério. Ao pé da letra, o BC diz isso na norma. Nesta hora falta um gerente que cheque o número. 

 

SEGURANÇA NA WEB
É preciso estar atento e forte
O cearense Álvaro Teófilo, 44, deixou Fortaleza aos 18 e migrou para São Paulo. Lá, construiu carreira como um dos principais nomes do segmento de cyber security do Brasil. Passou por grandes corporações - na última o Banco Original, o primeiro banco 100% digital do País, atuou na implantação. Ele veio a Fortaleza esta semana.

VERTICAL S/A - Os bancos brasileiros são seguros?
Álvaro Teófilo - Os grandes bancos brasileiros já investem pesadamente em segurança há muitos anos. Não são poucos os casos em que encontramos as instituições financeiras do País em níveis de maturidade muito superiores aos de países do primeiro mundo. Cabe ressaltar, no entanto, que não somente os bancos, mas o mercado digital de forma geral — de empresas de comércio eletrônico a companhias aéreas — sofrem muito com a dificuldade de combater a fraude eletrônica, dada a dificuldade de punir os grupos de criminosos que afetam os negócios digitais explorando o que chamamos de “elo mais fraco” — as pessoas, afetando a vida dos cidadãos brasileiros. As pessoas, por exemplo, precisam ficar mais atentas a contatos de fraudadores que se passam pelo próprio banco e pedem suas senhas e outras credenciais de acesso aos sistemas.

VSA
- Os investimentos em segurança crescem na proporção do que as ameaças exigem?
Álvaro – Existem diferenças muito significativas dos investimentos de segurança nas diferentes indústrias da sociedade. Estudos da Gartner, por exemplo, uma das mais reconhecidas consultorias de Tecnologia em âmbito global, indicam que os investimentos de segurança do mercado financeiro chegam a quase 10% do total dos gastos em Tecnologia, mas este número cai para 2,5% na indústria de alimentos. Obviamente, há muito mais cenários de risco e fraude em bancos que em um fabricante de alimentos, mas os incidentes de vazamento de informação e sequestros de dados têm-se tornado mais comum justamente nas empresas onde os investimentos em segurança são mais baixos.

VSA - O que um profissional de TI precisa para sair da multidão?
Àlvaro - Muitos profissionais de TI buscam formações específicas em tecnologias quando estas estão no auge de seu uso, mas não estão atentas àquelas tecnologias que serão imprescindíveis e exigirão mais gente qualificada daqui a cinco, dez anos. Se estivesse no início da carreira hoje, estudaria inteligência artificial e machine learning, duas das tecnologias que roubarão o emprego de milhões de pessoas ao redor do mundo. Se você não quiser perder seu emprego para um robô, melhor aprender a operá-lo.

VSA - Qual a diferença entre o CSO e o “Chefe de Segurança Virtual”?
Àlvaro - O acrônimo “CSO” (Chief Security Officer) se refere à posição de líder máximo do tema de segurança digital em uma determinada empresa. Ele responde pela estratégia, execução e operação de todas as questões de segurança da sua organização. Atuei nesse papel nos últimos 20 anos em diferentes bancos brasileiros, americanos e europeus. Como “CSO”, você responde diante dos sócios, investidores e reguladores, eu quanto os “CSOs Virtuais” — normalmente executivos que atuaram em projetos e grupos financeiros de grande porte — apoiam os sócios e executivos das empresas que usam sua experiência para ratificar sua estratégia de segurança e apoiar nas decisões. Estou em Fortaleza justamente conversando com a Morphus, a maior referência do assunto de cyber security no Ceará, e que já está em todo o País, para discutir como podemos ajudar as empresas da região a melhoras suas capacidades no âmbito da segurança digital. 

 

POLÍTICA. As duas boas novas na economia do Ceará são nutridas por dinheiro privado. E, salve, tanto o governador Camilo Santana como o prefeito Roberto Cláudio, agem para que assim seja. 

 

AEROPORTOS
59% em mãos privadas

A batida de martelo na última quinta-feira transferiu 12% do tráfego de passageiros em aeroportos no Brasil. Agora são 10 em mãos privadas. Uma revolução após o País vivenciar o drama da incapacidade de dar conta da demanda. Somando Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre aos demais seis, 59% do tráfego. Para Fortaleza, a vinda da empresa que opera Frankfurt – o quarto maior da Europa, depois de Heathrow (Londres), Charles de Gaulle (Paris), e Schiphol (Amsterdã),
é um trunfo. 

 

HOLANDA-ALEMANHA
Duas relações que mudam

Com as duas relações que se estabelecem agora, o Ceará deverá construir um cultura germânica de trabalhos. Com bases na Alemanha e Holanda em dois grandes equipamentos com potencial de impacto econômico, deverá haver mudança no perfil. Na esteira, há uma vocação que pode se potencializar com alta tecnologia para o Estado: é a área de energia nuclear. A se confirmar, uma aparente contradição. O Estado já é uma potência eólica.  

 

ÁGUA. Convênio entre o Banco do Nordeste e a Coca Cola Brasil vai selecionar projetos que promovam o acesso a água potável em comunidades urbanas e rurais de baixa renda. Ao todo, R$ 20 milhões investidos até 2020. Meio a meio. O projeto piloto está sendo implantado na comunidade de Coqueiro, em Caucaia. O presidente do Banco do Nordeste, Marcos Holanda, o diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil, Pedro Massa, e o diretor de Relações Externas da Solar, Fábio Acerbi, assinam na próxima terça-feira n ÁGUA . Enquanto isso, a Ambev lança a AMA, a água mineral que 100% do lucro das vendas revertido para projetos de acesso a água potável no semiárido brasileiro. Três comunidades rurais do Ceará já foram atendidas.  

 

Por Jocélio Leal