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A melhora da morte

01:30 | 10/06/2017

Também chamada de “visita da morte”, a dita “melhora da morte” é episódio traiçoeiro. Algo do tipo “faz que vai e não vai, mas (o moribundo) acaba fondo”. A pessoa (candidato a finado e/ou o povo da família) pensa que é uma coisa e é outra. Ou melhor, o exânime tem uma súbita recuperação e, quando todos já comemoram... o sujeito bate a caçoleta! Ou seja: agonizante cria lasquinha de ânimo (derradeiro ânimo), acelera, acelera, acelera e... para de vez! Babau!

Tomando a ideia de “melhora da morte” pras coisas do afago caliente (furufunfado de alcova), falemos de Zezé (70) e Joaninha (68) do Pau Branco – Pau Branco é onde moram. Não sei se posso chamar de chantagem aquilo. Fato é que, já fraco das potências genésicas, certa madrugada o colega acorda “armado” até os cabelos da cabeça e acha de conclamar a mulher pra dar vazão à irresistível vontade sexual.

- Joana! Ô, Joana! Avia!

- Hum!!! – ela no quinto sono.

- Acorda! Tôque num guento mais!

- Pois corra pro banheiro e arreie – achava Joaninha que o homem queria obrar.

- Prestenção! Eu tô em ponto de bala!

Com gosto de gás, o cabavéi se esfrega nos costados da mulher - que não experimentava aquilo havia já duas décadas. Enferrujada, sonolenta...

- Hoje não, meu amor!

- Home, aproveite enquanto dura!

- Não dá pra esperar até amanhã de noite?!?

- Não!!!É agora ou nunca!

- Por que a sangria desatada?

- Porque essa é a ‘melhora da morte’, mulher!!!

- Assim sendo...

Uma rapariga no pescoço

Dessas pensõezinhas de beira de estrada que qualquer piado todo mundo escuta. E eu hóspede, escornado numa rede, descansando febril do almoço de fava, a ouvir o vizinho a gritar aloprado.

 

- Claro que eu tenho outra! E diferente de tu, bichavéa amarela e seca, ela é linda!

Égua do macho! Se fosse mulher dele, mandava-lhe à merda. Onde já se viu, assim, na bucha? Eu ouvia tudo, imaginando a dor da criatura com quem ele discutia. Pensei na minha irmã, ouvindo isso do cunhado. Detonou mais:

- Homem nenhum esquece o que ela faz num pescoço...

Agora pronto, era dum chupão que ele falava. Com essa, adeus possibilidade de reconciliação. Pois vem a seguir o golpe de misericórdia.

- Infelizmente tu não é a outra que deixei lá, nó cego!Já vou! Tichau!

Saímos simultaneamente dos quartos. Queria ver o elemento e a coitada que tanto maltratava. Abriu a porta dele, eu a minha. Vi então que se tratava dum doido do juízo, que segurava firme uma gravata velha, feia, rasgada, “imbuluada”e gritava:

- Vou te rebolar no mato, fulerage!!!

A riqueza do liso

Da próxima vez, vou falar da Clínica de Repouso pra Corno Dr. Macaxeira, que Jair Morais inaugura em breve e pede que eu seja o diretor financeiro.