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O Arco e a flecha

01:30 | 23/02/2017

ADENILSON E LEILSON

Ceará e Guarani fizeram no domingo o melhor jogo do campeonato. O auxiliar técnico alvinegro Daniel Azambuja leu a equipe de Juazeiro e marcou seus pontos fortes. Com seis minutos de jogo o Ceará já tinha feito quatro faltas em Adenilson e duas em Leilson.

Uma falta por minuto. É uma tática antijogo destinada a intimidar e parar o adversário. Os jogadores encarregados da marcação vão revezando nas faltas para ninguém receber o cartão amarelo e quem sofre as faltas vai aos poucos perdendo a paciência.

Foi o que aconteceu com Leilson. Reclamou e levou amarelo. Talvez tenha enfrentado pela primeira vez uma defesa pesada. A indiferença dos árbitros a essa ação é um crime contra o bom futebol. Os atacantes de qualidade são sempre caçados pelos zagueiros.

Na insanidade que virou o futebol, as coisas são tratadas assim. Nossa maior promessa em campo é tratada a pontapés enquanto fora dele bota-se tapete vermelho para dirigentes e empresários que, tendo o comércio como estrela-guia, arruínam o futebol.

Embora o Guarani tenha outros bons jogadores, os dois sobram no time. Se alguma equipe de maiores recursos estiver interessado em contratar jogadores é uma excelente opção. Se levar só um deles pode bater a solidão. É como se fossem o arco e a flecha. Dá gosto vê-los jogar! Aliás, guardando as devidas proporções, os dois fazem juntos uma jogada que encantava os torcedores brasileiros no tempo em que éramos os reis do futebol. Que tal a seleção brasileira de 1970? Gérson era o arco. Jairzinho, a flecha. Quando éramos atacados pelos adversários, todos os jogadores voltavam para marcar atrás da linha da bola. Todos, menos um. Jairzinho ficava engatilhado ali pela altura do meio-campo. Se fosse o Gerson que retomasse a bola vinha o lançamento no espaço vazio do lado direito.

O Guarani faz igual. Tem a artilharia do campeonato com 14 gols e seu artilheiro Leilson fez oito deles. A maioria dos gols feitos pelo espaço vazio deixado por seus adversários pelo lado direito. É por aquele setor que Adenilson lança a bola com os olhos fechados.

SéRGIO REDES