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O consumo de gordura e o Alzheimer

17:00 | 04/03/2017

 

José Meudo Filho

 

Um estudo publicado na revista American Journal of Clinical Nutrition em janeiro de 2017 mostrou que ingesta alta de gordura e ovos não aumenta o risco de surgimento da demência. Hoje existe uma preocupação grande e justificada no sentido de prevenir o surgimento das demências, principalmente a Doença de Alzheimer, que é o tipo mais comum. O estudo, conduzido em pessoas do sexo masculino na Finlândia, sugere ainda, que, a ingesta de ovos em moderada quantidade pode melhorar a performance cognitiva. Também foi mostrado que não existe correlação entre a presença do gene APOE 4 e um maior risco. Esse gene afeta o metabolismo do colesterol e sua presença é fator de risco para a Doença de Alzheimer.

Estudos prévios haviam mostrado uma correlação entre ovos e outros alimentos ricos em gordura e declínio cognitivo, tanto na população geral como nas pessoas com presença do gene APOE 4. A prevalência desse gene na população é particularmente alta na Finlândia, onde cerca de um terço da população é portadora do gene. Como dito, esse gene é um importante fator de risco para desenvolvimento da Doença de Alzheimer.

O estudo avaliou os hábitos alimentares de 2.497 homens finlandeses, com idade entre 42 e 60 anos, para observar correlação entre consumo de gorduras e ovos e performance cognitiva, surgimento de demências, em particular a Doença de Alzheimer. Todos foram avaliados inicialmente e não apresentavam alteração na esfera da cognição e não tinham queixas de memória. A análise foi conduzida durante 20 anos e, nesse período, 377 deles desenvolveram demência, sendo 266 demência do tipo Alzheimer.

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Importante ressaltar que um terço dos participantes era positivo para gene da APOE 4. Na conclusão da análise de dados, não houve correlação entre a ingesta de gordura ou ovos e o aumento do risco de surgimento de demência, mesmo quando se levava em consideração a presença do gene APOE4.O estudo mostrou, inclusive, uma melhor performance cognitiva associada à ingesta de ovos. O que se pode concluir é que a presença de gordura e ovos na dieta não aumenta a chance de alteração na memória ou cognição, mesmo quando o indivíduo tenha fator de risco genético identificado.

Opinião da especialista

Esse estudo é bastante interessante no sentido de corroborar com o pensamento atual de que as gorduras não seriam as vilãs da nutrição adequada em termos de prevenção de doenças. No entanto, temos que ter cautela em ampliar esses dados para uma abordagem mais ampla, pois o estudo não mensurou outros fatores que poderiam ter tido um papel em prevenção, como, por exemplo, presença de atividade física regular. Seria também importante que esses indivíduos estudados fossem acompanhados ao longo do seu envelhecimento, para realmente se chegar à conclusão que a demência foi de fato inexistente mesmo em idades mais avançadas.

 

Danielle de Menezes Ferreira é médica geriátrica e trabalha na Clínica da Memória em Fortaleza