O aniversário de Fortaleza que comemoramos no dia 13 de abril nunca foi uma data pacífica.
Para você ter uma ideia, desde 1960 a data de nascimento da Capital transformou-se num imbróglio.
Existem 3 datas que rondam os fatos históricos disputados pela elite intelectual da cidade.
A 1ª delas é a de chegada do português Pero Coelho em 1603 e a construção do Forte de São Sebastião.
Se o março fosse a chegada de Coelho e a fundação efêmera da Nova Lisboa, Fortaleza teria 420 anos.
Mas Pero enfrentou agruras mil, teve confusão com os indígenas locais e foi embora sob ordem de Portugal.
Anos mais tarde, Martim Soares Moreno recebe a antiga vila do Siará como sesmaria.
Chegou também pela Barra do Ceará, reconstruiu o forte de São Sebastião, fez amizade com os indígenas...
... tentou sobreviver com a família no ambiente inóspito, mas foi para Pernambuco ordenado pelo rei, em 1631.
Em 1649, os holandeses chegaram pelo outro extremo da cidade, Mucuripe.
Em 10 de abril, o líder holandês Matias Beck começou a construir o Forte de Schoonenborch, no rio Pajeú.
O forte ficou pronto em 22 de abril, com material do forte da Barra, lugar sem nenhum desenvolvimento.
Se levarmos em conta a chegada de Matias Beck, Fortaleza teria 374 aninhos e o fundador seria um holandês calvinista.
A empreitada de Matias Beck, chamado de herege pelos intelectuais que não o queriam como fundador de Fortaleza, vingou.
A quase unanimidade é de que Fortaleza só prosperou a partir do forte do holandês, apesar da confusão religiosa.
Mas Portugal retomou a capitania, expulsou os holandeses e rebatizou o forte de Nossa Senhora da Assunção.
Fortaleza comemora 297 anos no dia 13 de abril porque foi a data de elevação da capitania à vila, que se deu em 1726.
Foi apenas em 1994 que o PL do então vereador Idalmir Feitosa instituiu a data oficial de aniversário da cidade.
A polêmica seguiu em 2008, quando o historiador Adauto Leitão defendeu que a cidade nasceu na Barra do Ceará em 1604.
A confusão envolveu historiadores, imprensa e intelectuais. E aí, quando você acha que deveríamos comemorar?
Regina Ribeiro | Catalina Leite
A Cidade do Pajeú, de Raimundo Girão Barroso (O POVO)
O POVO / Tenor / Biblioteca Nacional