Amigos e artistas relembram trajetória de Rossé Sabadia
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Amigos e artistas relembram trajetória de Rossé Sabadia

Ícone da música cearense nas décadas de 1980 e 1990, Rossé Sabadia foi vitimado por um infarto. O enterro acontece na manhã desta terça-feira, 25

24/09/2018 14:37:00
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[FOTO1]Um dos ícones da música cearense dos anos 1980 e 1990 morreu na madrugada desta segunda-feira, 24. José Antonio Beltrão Sabadia - conhecido nos círculos artísticos como Rossé Sabadia - era uma das figuras mais emblemáticas da cena cultural local. Fez parcerias, integrou o icônico Grupo Budega, cantou e tocou ao lado de nomes como Kátia Freitas e Karine Alexandrino, subiu ao palco do Pirata Bar e de outros estabelecimentos famosos.

O velório acontece nesta terça-feira, 25, a partir das 7 horas. A missa de corpo presente, realizada no Cemitério Jardins Metropolitano, começa às 10 horas. Em seguida, acontece a cremação do corpo. Rossé, que também dedicou boa parte da vida a docência e a pesquisa na Universidade Federal do Ceará (UFC), sofreu um infarto e não resistiu.

“Foi-se Rossé Sabadia... Partiu um dos maiores talentos artísticos já brotados desse pedaço de chão mítico chamado Ceará. A voz inigualável, o carisma, o dom da performance... Rossé no palco nos hipnotizava de tal modo que evitávamos piscar para não perder seu próximo movimento. Sua decisão de largar a cena artística nos deixou a todos meio órfãos, e essa sensação de vazio nunca mais foi embora. Mas tivemos o indizível prazer de vê-lo cantar, e isso nada vai nos tirar de nós”, lembra o escritor e produtor cultural Ricardo Kelmer, amigo de Rossé durante décadas.

[FOTO2]O compositor Valdo Aderaldo lamenta a morte de Rossé, com quem mantinha amizade desde os tempos da escola. "Era uma amizade de irmãos", explica Valdo. A ligação entre os dois começou com a amizade entre os pais de ambos, imigrantes que vieram morar em Fortaleza. Com a origem espanhola, os amigos e conhecidos começaram a trocar a pronúncia de José por Rossé, como é conhecido até hoje.

Valdo também lembra da importância de Rossé Sabadia para os estudos acadêmicos. Geólogo de formação na Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1987, ele se tornou professor da mesma instituição, no Departamento de Geologia do Centro de Ciências. Cursou mestrado em Geociências pela Universidade de São Paulo em 1994, tornou-se hidrogeólogo pela Fundação Curso Internacional de Hidrologia Subterrânea (FCIHS-Unesco) e Universidade Politécnica da Catalunha (UPC) em 1998 e concluiu o doutorado em Hidrogeologia e Geofísica Ambiental pela Universidade de Barcelona em 2001. Rossé Sabadia conciliou os estudos acadêmicos com sua profunda participação no universo artístico.

Mais recentemente, entre 2007 e 2008, concluiu o pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), junto ao Grupo de Estudos de Análogos a Reservatórios Petrolíferos com modelagem 3D de aqüíferos. Organizou livros sobre seus temas de interesse - que envolvem recursos hídricos, geofísica ambiental e águas subterrâneas - e orientou trabalhos de dezenas de estudantes da pós-graduação.

"Rossé e eu ficamos amigos na época do Badauê, um bar que tive na Praia de Iracema em 1988-89, e onde ele dava umas canjas nos shows, sempre fazendo a plateia delirar. Gente, que figura... Aquele brilho no olhar, a irreverência, aquelas aloprações %u2012 no início, eu achava que ele era doido, mas depois tive certeza que era mesmo. Um louco lindo e genial! No disco da Intocáveis Putz band, de 1999, ele gravou Rapariguinhas do Bairro e, como sempre, arrasou”, relembra Kelmer.

Mais tarde, em 2002, quando já havia abandonado os palcos, Rossé aceitou fazer um show a pedido de Ricardo Kelmer. Em uma edição da festa Cabaré Soçaite, promovida pelo escritor, Rossé Sabadia & Os Últimos Românticos fizeram um repertório que passeava por inglês, espanhol e francês. “Foi aplaudido de pé, voltou para o bis, voltou de novo, de novo, as pessoas não o deixavam ir embora. Depois, no camarim, ele me abraçou, agradecido, e disse: “Se for com você produzindo, eu volto aos palcos.” Infelizmente, Rossé, não pude realizar seu desejo. Mas levarei sempre comigo a lembrança dessa noite maravilhosa, em que você foi o artista pleno”, completa Ricardo Kelmer.

Visivelmente emocionada, a cantora cearense Kátia Freitas diz lamentar profundamente a morte de Rossé. "Eu nem sonhava em cantar quando vi o Rossé cantando com o Grupo Budega no fim dos anos 1980. E eu fiquei encantada pela voz dele. Virei fã. E boa parte das pessoas que compõem o grupo Budega me influenciaram profundamente - na minha vida pessoal e na minha carreira", lembra. "É uma perda que eu não sei te contar. E é uma das vozes mais lindas e potente que o Ceará já nos deu", pontua Kátia.

Isabel Costa

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