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VIDA&ARTE VIU.

Encontro de gerações marca show de Caetano Veloso com os filhos em Fortaleza

O show "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso" reuniu o baiano com seus três filhos no Teatro RioMar

14:28 | 12/01/2018
Foto: João Gabriel Tréz/O POVO
Aprendi a ouvir Caetano Veloso com minha mãe. Não tenho uma primeira memória concreta de como começou, mas tenho muitas outras de momentos com ela que foram regados pelo baiano: de uma tarde inteira de nós dois ouvindo músicas do cantor enquanto eu, aos 10 ou 11 anos, escrevia poesias inspiradas nas composições, passando pelo show do disco "Abraçaço", em 2013, primeira apresentação dele que fomos juntos, primeira vez que o vi ao vivo. Na noite da quinta, no Teatro RioMar, escrevemos outra parte dessa história com o show "Caetano Moreno Zeca Tom Veloso", que reuniu o baiano com seus três filhos.
 
Com os ingressos já esgotados para o evento, o local ficou lotado. De gente e de diferenças entre elas. O público ia de senhoras com dificuldades para andar, mas molejo suficiente para remexer os ombros ao som das músicas mais animadas, a jovens tão fãs que pareciam seguir o cantor, de 75 anos, desde os anos 1960. O próprio repertório levado pela família Veloso foi democrático e misturado, indo de sucessos do pai (como "Trem das Cores" e "Oração ao Tempo") a composições dos filhos (como a positiva "Um Passo a Frente", de Moreno, a romântica "Um Só Lugar", de Tom, e a emocionante "Todo Homem", de Zeca). A abertura do espetáculo, com "Alegria, alegria" seguida de "O seu amor", foi de fazer chorar. Outro destaque foi o funk apresentado por Caetano, "Alexandrino". 
 
Por mais que tenha sido protagonista de momentos de brilho como esse, Caetano foi no show, antes de tudo, pai. A cada filho que ganhava os holofotes, ele dividia, orgulhoso, histórias, risadas e olhares. A harmonia entre os quatro no palco foi de fazer sorrir. Se um era a voz principal, os outros acompanhavam com instrumentos, assobios, backing vocals.
 
Moreno foi o mais tranquilo da prole, experiente que é — num outro momento memorável da noite, sambou com o pai ao som de "How beautiful could a being be". Caçula, Tom foi descontraído: chegou de chinelo, ficou descalço, dançou o funk do pai, sarrou no ar. Zeca, como explicou Caetano, estreava nos palcos naquela turnê e o nervosismo era visível nas mãos do jovem, que não paravam quietas. Numa das canções em que era coadjuvante, ele fez menção de tirar o casaco que vestia, mas, discreto, desistiu no meio do caminho e só completou a ação quando a música acabou, as luzes cessaram e os aplausos irromperam. O tanto que foi tímido, foi charmoso.
 
Os encontros de gerações e a potência do que eles podem significar, enfim, marcaram a noite. Eram vários pais, mães, filhos, parentes, amigos, casais e recém-conhecidos. Era Caetano, no palco, acompanhado dos filhos. Éramos, na plateia, minha mãe e eu. Era tudo em família.

JOãO GABRIEL TRéZ