PUBLICIDADE
Exposições e Cursos
IMAGENS VERTIGINOSAS

Mostra de cinema do Fotofestival Solar traz quatro filmes na programação

Ciclo de cinema exibe quatro filmes que experimentam a imagem como arma contra a desinformação

15:00 | 05/12/2018

Foto: Divulgação

A programação de cinema do Fotofestival Solar, que reúne exibições e debates no ciclo Imagens vertiginosas, também se apropria do argumento central do evento: a necessidade de lançar luz sobre um momento particularmente complexo de nossa trajetória política e social, em uma tentativa de encontrar respostas por meio da arte e da força da imagem.

 

Pedro Azevedo, curador do Cinema do Dragão, é responsável pela programação, que conta com a exibição de quatro filmes e é encerrada com um debate entre realizadores. Na concepção de seu projeto curatorial, levou em conta os conceitos que norteiam o Solar. "O Festival trabalha com a ideia do abismo, e o momento político que o Brasil vive aponta para isso. É essa sensação de vertigem, de não saber muito bem o quão fundo é o buraco em que a gente está se enfiando", explica.

 

O curador priorizou projetos que tocassem essa medida política a partir da dimensão da experimentação da imagem. "São filmes que abordam a realidade através de uma chave muito sensorial, que propõem um mergulho na imagem. Alguns, como no caso do Godard, trabalham com o suporte de vídeo e texto, com imagens de arquivo, montagens caóticas", argumenta. 

 

Além do longa do diretor francês, Imagem e palavra, serão exibidos os filmes Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, Improvável encontro, de Lauro Escorel, e Prelúdio da fúria, de Gilvan Barreto.

 

"Compreendo a arte como forma de entender as mudanças sociais, com essa dimensão política. Não sei se a arte pode mudar a sociedade, mas pelo menos ela propõe a abertura de diálogos e reflexões. Esse ciclo é a extensão dos debates que estão acontecendo no Brasil inteiro. Mais do que filmes partidários ou panfletários, eles provocam uma experiência sensorial que pode ser transformadora", explica Pedro, reafirmando a posição do Cinema do Dragão como espaço orgânico de reflexão política.

 

Encerrando o ciclo Imagens Vertiginosas, o debate "Imagem, sentido e política" vai reunir, além de Pedro, os diretores Lauro Escorel e Gilvan Barreto para uma conversa sobre a atualidade de seus filmes. Sobre Prelúdio da fúria, realizado entre 2015 e 2016, Barreto explicou: "O projeto foi contaminado pelo tema da violência institucional. Ele pegou a subida da onda reacionária que culminou com o golpe. O filme contempla esse período, mas é feito por meio de artistas visuais e fotógrafos, trabalhadores da imagem de diferentes técnicas espalhados pelo Brasil".

 

A dimensão sensorial de Prelúdio da fúria, seu trabalho em relação ao uso e disposição da imagem, é a arma de reflexão política que aparece nos outros filmes e que Pedro pretende discutir no debate. "Vamos conversar sobre como a arte, no caso o cinema e a fotografia, podem ser armas de resistência dentro desse contexto político". (Jáder Santana)

 

PROGRAMAÇÃO 

 

DIA 6, QUINTA-FEIRA

19h30min

Imagem e palavra, de Jean-Luc Godard

 

DIA 7, SEXTA-FEIRA

19h30min

Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt

 

DIA 8, SÁBADO

19h

Improvável encontro, de Lauro Escorel

Prelúdio da fúria, de Gilvan Barreto

20h30min

 

Debate "Imagem, sentido e política", com Pedro Azevedo, Lauro Escorel e Gilvan Barreto