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Imagem Brasil Galeria recebe exposição fotográfica "A Casa do Ser"

Ana Póvoas abre individual "A Casa do Ser", neste sábado, 21, na Imagem Brasil Galeria. Na ocasião, será apresentado o livro homônimo

09:31 | 19/07/2018
Foto: Ana Póvoas/Divulgação

Carioca de nascença com formação em Comunicação Social pela UFC, foi em Pirenópolis (GO) que Ana Póvoas decidiu fazer morada há mais de 20 anos. É nesse ambiente que surge sua relação com Dona Nica que, por sua vez, resultou na elaboração de A Casa do Ser. O material - livro e exposição - será destaque neste sábado, 21, às 10 horas, na Imagem Brasil Galeria (Aldeota). A mostra permanecerá em cartaz até 2 de setembro com visitação gratuita de segunda a sexta, das 9h às 19 horas; o livro, por sua vez, estará à venda na ocasião ao preço de R$ 60.

 

As primeiras visitas à casa de fachada branca com detalhes azuis, de acordo com Ana, revelaram-se mais do que o propósito inicial: comprar bananas nanicas que Dona Nica (batizada de Alina, irmã gêmea de Adelina e filha de Dona Francisca) mantinha em seu quintal, localizado no povoado de Furnas. "Iniciamos um trabalho juntas: eu comprava bananas para abastecer um negócio familiar de frutas secas; e, portanto, durante alguns anos, constantemente eu estava por lá", relata ela no livro, saído pela Lucarna Casa Editorial com apoio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, através do edital de fomento às Artes Visuais. A curadoria e concepção editorial da publicação são assinadas pelo escritor e curador de fotografia Diógenes Moura.

 

"Quando o fotógrafo se expõe diante do 'outro', haverá ou a verdade ou o suicídio, pois um retrato não é um pôr do sol. Pode ser um grito. Ou um extrato de um longo silêncio. Em qualquer lugar do mundo esse 'outro' será sempre ele mesmo. Quem deverá se modificar é o fotógrafo. É isso que acontece aqui, página por página. Há um jogo duplo, um segredo tênue que pertence a essas duas mulheres; e que nunca mais será do mesmo jeito, porque, na manhã seguinte, a casa não será a mesma. (...) Porque poderemos ser assim: muito simples, quase nada, tão imensos", escreveu.

 

De um total de cerca de 130 fotos, 45 foram escolhidas para compor A Casa do Ser. Ao longo das 85 páginas, detalhes que chamam atenção de uma rotina simples, porém imersa de significados. "Não houve estranhamento. Foi muito bem estabelecida (a relação) entre nós, sem palavras. Acho que ela tem e teve uma confiança em mim. Mas esse trabalho não traz em si uma característica de um trabalho localizado em um lugar X. Se você visitar as casas do sertão de um modo geral, é tudo muito parecido - não digo igual porque têm particularidades de quem vive dentro também, de quem habita. Mas não há uma imagem que determina geograficamente o trabalho", pontuou.

 

O olhar de afeto e cumplicidade entre fotógrafa e fotografada deram corpo e fundamento também a uma esfera que perpassa, sobretudo, o amadurecimento de Ana Póvoas. "Acho que também tem a ver com o tempo que o fotógrafo olha para aquilo que está registrando. Porque quando olha e olha e olha e vivencia e cria confiança entre ambos, o ordinário se apresenta. Sinto que, com a fotografia, me aproprio do objeto ou de o que quer que seja fotografado. Já tem um afeto aí, no sentido de ser afetado por aquilo ou por aquela cena, entende? Tem uma compreensão minha sobre o ato de fotografar - de eu fotografar - mais madura. Com o tempo, percebi que a relação é afetiva, sim, quase todo o tempo", concluiu a fotógrafa.

 

Exposição e apresentação do livro A Casa do Ser, de Ana Póvoas

Quando: abertura sábado, 21, às 10h, seguindo até o dia 2/9

Onde: Imagem Brasil Galeria (rua Rocha Lima, 1707)

Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 19 horas

Preço do livro: R$ 60

Telefone: 3261 0525

 

TERESA MONTEIRO