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Vida e Arte
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Jornal

Diretor de O Homem Das Cavernas fala sobre seus planos no cinema

Vencedor de quatro Oscar, o diretor Nick Park fala com exclusividade ao Vida&Arte sobre sua carreira

10/04/2018 01:30:00
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Poucos são os cineastas que conseguem alcançar o prestígio como o de Nick Park, que, aos 59 anos, já foi indicado a seis Oscar e levou quatro. O diretor concorreu à sua primeira estatueta em 1991, quando dois dos três filmes indicados eram dirigidos por ele. Creature Comforts saiu como vencedor de melhor curta-metragem de animação, enquanto Um Dia de Folga, seu outro curta daquele ano, venceu o mesmo prêmio no BAFTA, considerado o Oscar inglês.


Nick Park levou o Oscar em 1991, 1994, 1996 e 2006 por seus trabalhos em stop-motion, técnica que modifica as posições de bonecos de massinha para fotografá-los de maneira a criar uma impressão de movimento quando as imagens forem exibidas em uma velocidade de 24 quadros por segundo.


Nick também dirigiu A Fuga das Galinhas (2000) e A Batalha dos Vegetais (2006); criou a série animada Shaun, O Carneiro (2007) e produziu Shaun, O Carneiro: O Filme. Atualmente, está em cartaz com O Homem das Cavernas, que fala sobre uma pré-histórica partida de futebol.

 

De sua casa na Inglaterra, o diretor interrompeu as férias para um entrevista exclusiva ao O POVO, por telefone, onde destaca os desafios do cinema de animação. Toda a entrevista foi realizada com a descontração que só um homem como Park oferece.

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O POVO – Qual foi a dificuldade de criar o universo desse novo filme?

Nick Park – O Homem das Cavernas tem universo épico, ainda que seja um filme sobre futebol. Então, a dificuldade foi dupla. Tivemos que pensar em detalhes que precisavam parecer reais para o universo dos homens das cavernas e do futebol. Foram centenas de bonecos e de efeitos práticos para simular a união desses dois mundos. Isso é difícil, mas imensamente divertido. Uma atividade que me dá um prazer único.

 

O POVO – Quanto tempo durou para O Homem das Cavernas ser concluído?

Nick Park – Para montar os cenários, o visual dos lugares, a iluminação, a maquete, o design dos bonecos e personagens foram cinco anos. Tivemos 14 animadores trabalhando no estúdio para criar tudo. Já o tempo de filmagens foi de oito meses.

 

O POVO – Qual foi a origem do projeto?

Nick Park – A ideia de criar um mundo sobre os homens das cavernas é antiga. Sempre quis fazer. Mas o elemento do futebol veio por último. Tive essa ideia de misturar as tribos jogando, disputando a vida no esporte, só depois. Fui para o futebol porque é algo muito tribal. E o desafio do filme tornou-se esse: como é que um grupo de homens das cavernas pode aprender um jogo disciplinado onde não se pode matar o adversário? (risos).

 

O POVO – Foi planejado lançar em um ano de Copa do Mundo?

Nick Park – Essa pergunta é curiosa. Nós não sabíamos o ano do lançamento, já que a técnica de stop motion demora vários anos para finalizar. Foi uma feliz coincidência.

 

O POVO – Você acredita que a Inglaterra tem chances de vencer a Copa este ano?

Nick Park – As pessoas da Inglaterra só gostam de assistir, a vitória não é lá tão importante. Não somos tão críticos com esportes. Mas espero que vença esse ano.

 

O POVO – Você apresentou várias personagens femininas jogando futebol. A ideia foi sua?

Nick Park – Sim. Ter uma personagem feminina forte em um filme é algo muito importante pra mim. Isso tem existir! E no filme, a personagem Gonna ensina o esporte. Logo ela domina o futebol, não os homens, como de costume. Isso é fantástico! Os tempos estão mudando e temos que representar as mulheres também. Desde A Fuga das Galinhas penso nisso.

 

O POVO – Alguma mulher inspirou você para criar a personagem Gonna, dublada por Maise Williams?

Nick Park – Só pensamos que ela deveria ser forte, como muitas mulheres do mundo.

 

O POVO – Maise Williams foi a primeira escolha para interpretar a personagem?

Nick Park – Sim, ela foi uma escolha natural. Sou muito fã de seu trabalho. Ela é uma força da natureza. Com a série Game of Thrones ela mostra todo o seu talento.

 

O POVO – Como você escolheu os outros atores?

Nick Park – Eu vi Eddie Redmayne em Morte Negra, filme de 2010. É um filme sombrio, em que o ator é um pouco sádico e cruel. Depois disso, ele nos mostrou mais de seu talento em A Teoria de Tudo, que, inclusive, lhe garantiu o Oscar de melhor ator por sua interpretação como Stephen Hawking. Ele é muito competente. Quanto ao Tom Hiddleston, eu notei em Os Vingadores, onde Tom interpreta Loki. É perceptível como ele se diverte quando atua

como vilão.


O POVO - Dublar também é atuar, mas muitas pessoas não sabem disso. O que você acha?

Nick Park – Atuação exige um trabalho oral também. Quando os atores estão dublando personagens, eles estão colocando o carisma e esforço naquele herói específico. É uma atividade divertida, mas exaustiva do mesmo modo.

 

O POVO – Você dublou o personagem Porcão para não ser parecido com Gromit, outro animal mudo da Aardman?

Nick Park – Para ser honesto, eu o interpretei por puro acidente (risos). Eu queria um ator, mas quando fizemos os storyboards, usamos vozes temporárias e eu fiz a de Porcão. Quando começamos a filmar, a produção me disse: “Adoramos o que fez com o Porcão, por que não o dubla?” E pronto, eu o interpretei. O Porcão é um um animal de estimação muito leal e mais inteligente que o protagonista. Isso ele tem em comum com o Gromit.

 

O POVO – Seus filmes sempre têm animais. Você é vegetariano?

Nick Park – Sei que muitas pessoas se tornaram vegetarianas depois de A Fuga das Galinhas e ficaram decepcionadas quando descobriram que eu não sou. Eu evito comer carne e cuido da minha alimentação, mas não posso me assumir (vegetariano) se não sou. Eu simpatizo com a causa e admiro todos que se importam com os animais.

 

O POVO – Por que você ainda não filmou uma sequência para Wallace e Gromit? São 30 anos do primeiro curta no ano que vem.

Nick Park – Eu acho que é bom as pessoas se empolgarem. Tenho várias ideias. Não é um capítulo fechado.

 

O POVO – Quais são os planos para o futuro?

Nick Park – Vamos entrar em processo de finalização de Shaun, O Carneiro 2. Depois disso vou dar um descanso e pensar na continuação de Wallace e Gromit.

 

O POVO – Impossível falar de stop motion sem citar Ray Harrysousen. Você o conheceu?

Nick Park – Sim. Ele foi um dos meus heróis quando era criança. Eu lembro de ter visto One Million Years e me apaixonar por cinema. Ele é um gênio do stop motion. Ele criou dinossauros reais na tela anos antes de qualquer efeito de computador. Com ele, eu aprendi que qualquer sonho pode se tornar realidade no cinema.

 

O POVO – Quais diretores você segue agora?

Nick Park – Essa é difícil. Eu deveria acompanhar mais os trabalhos das pessoas, mas, sem dúvidas, eu sou apaixonado por Terry Gilliam. Ele é um gênio do drama e da comédia. (Alfred) Hitchcock também me inspirou bastante. O meu segundo curta de Wallace e Gromit é baseado em seu filme Rebecca.

 

O POVO – E você assiste a filmes brasileiros?

Nick Park – Lembro de O Menino e o Mundo (animação de Alê Abreu). Ele foi nomeado ao Oscar em 2016. Concorremos juntos, já que Shaun, O Carneiro, também foi indicado no mesmo ano. Me orgulho de concorrer com vocês.

 

O POVO – Falando de Oscar. Tem o intuito de vencer mais um?

Nick Park – Isso é engraçado (risos). Tenho a impressão de que todos ficam nervosos quando lanço um filme, como se fosse vitória certa. Mas não faço filme para ganhar prêmios. Você percebe quando assiste aos meus filmes. Eles são simples, puros. Não possuem uma carga dramática, algo sério ou intenso. Ganhei pela técnica, pela simplicidade.

 

Gabriel Amora

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