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carnaval 2018 de fortaleza

"Cancelamento não foi só por falta de recursos, foram as pessoas", diz organizador do Glitter

Lotação e transtornos gerados na folia culminaram na reunião da Secultfor com a organização do Glitter na tarde desta segunda

21:44 | 08/01/2018

Foto: (Foto: Mateus Dantas/ O POVO)

Um dos blocos mais aguardados do período de Pré-Carnaval de Fortaleza anunciou nesta segunda-feira, 8, a saída da programação carnavalesca de 2018. O Bloco Glitter se despede das ruas depois de um evento com mais de 8 mil pessoas confirmadas no Facebook. A lotação, as reclamações e os transtornos gerados no Mercado dos Pinhões culminaram na reunião da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) com a organização do Glitter. Em seguida, o bloco anunciou nas redes sociais tarde desta segunda, o cancelamento das próximas apresentações.

“Conversamos com eles sobre a possibilidade de não cancelarem”, explicou a coordenadora da Ação Cultural da Secultfor, Norma Paula. Também participaram da reunião com integrantes do bloco o titular da Secultfor Evaldo Lima e a secretária executiva da pasta, Paola Braga. Juntos, eles discutiram manter a apresentação do grupo com apoio da Prefeitura, a partir desta sexta-feira, 12, início do Ciclo Carnavalesco da Capital. “A gente acha que eles são importantes, mas eles tomaram a decisão de encerrar”, conta Norma.

O motivo, segundo Zé Filho, um dos organizadores do Glitter, vai além das questões estruturais. “O cancelamento não foi só por conta de falta de recursos, foram as pessoas”, disse em entrevista ao O POVO Online. “A gente achava que ia ser parecido como o ano passado, e no ano passado não gerou essa mazela toda.”

Zé Filho explica que, devido ao excesso de reclamações recebidas depois do sábado, a organização temia ser responsabilizada por alguma fatalidade que viesse a acontecer. “Por mais que exista apoio, quando isso acontecesse, ia cair contra a gente. Hoje uma mãe veio falar que o filho foi assaltado no Glitter e eu não tenho como responder a isso", explica o organizador.

“Na realidade os meninos ficaram muito assustados com a violência que a própria população sofreu”, afirma Norma. “O Glitter é um bloco que prega o amor, o respeito, a diversidade e o combate à intolerância. E eles viram uma outra face: existe, sim, a intolerância, existe, sim, o machismo.”

O Pré-Carnaval no Mercado dos Pinhões

Segundo a coordenadora, as causas para os transtornos que aconteceram nesse sábado foram diversas. Mesmo com órgãos como a Polícia e a Autarquia de Trânsito e Cidadania (AMC) avisados pelo bloco sobre a festa que aconteceria, ela estava fora do agendamento oficial do Ciclo Carnavalesco. O acordo firmado com a Prefeitura garantia, apenas, a cessão do espaço.

“Como a festa era praticamente a única de sábado, estavam todas as tribos lá, não só os fãs do Glitter”, diz Norma, que acredita que o aumento dos polos de concentração das próximas semanas deve evitar a lotação que o Mercado dos Pinhões recebeu no sábado.

Com a saída do Bloco Glitter, a Secultfor está reestruturando a programação do Ciclo Carnavalesco que deve ser divulgada em coletiva de imprensa na próxima quarta-feira, 10. Outros grupos devem ocupar o lugar do Glitter no Mercado dos Pinhões neste novo calendário de festas.

IURY FIGUEIREDO