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Carnaval
Repercussão

Após transtornos, Bloco Glitter cancela participação no Pré-Carnaval de Fortaleza

10:08 | 08/01/2018
Foto: Mateus Dantas/O POVO
Após transtornos registrados no último sábado, 6, a organização do Bloco Glitter anunciou que está cancelada a participação do grupo no Pré-Carnaval 2018 de Fortaleza. Uma multidão lotou o Mercado dos Pinhões e seu entorno, o que gerou uma série de reclamações devido à falta de estrutura do local. É o que conta o organizador do evento, Zé Filho. "Estamos indo à Secultfor com um ofício de cancelamento do bloco e retirada do Ciclo Carnavalesco", afirmou.
 
Em entrevista ao Vida&Arte, Zé Filho afirma que desde o último dia 28 de outubro a equipe de organização protocolou todos os documentos e ofícios de pedidos de policiamento, trânsito e limpeza para atender as demandas do Mercado dos Pinhões. Conforme Zé Filho, o que aconteceu foi um "descaso”. "O evento surgiu com um Carnaval de rua para modificar as relações das pessoas com a cidade, causar encontros, mas criou uma proporção gigantesca e nos faltou apoio público", relatou o organizador.
 
Segundo a Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (Secultfor), o Glitter está escalado como um dos integrantes do Ciclo Carnavalesco de Fortaleza, que começa oficialmente na próxima sexta-feira, 12, com divulgação oficial agendada para quarta-feira, 10, por meio de coletiva de imprensa. O órgão garantiu também que no segundo dia do Bloco, que seria sábado, 13, as demandas de estrutura, banheiros químicos, segurança e policiamento, seriam atendidas. 
Relatos
A Praça Pelotas, que cerca o Mercado dos Pinhões, e as ruas Nogueira Acioli e Gonçalves Lêdo, próximas ao local, se tornaram uma opção para quem não conseguiu entrar no Mercado, devido à lotação. É o que relata a estudante de engenharia civil, Bárbara Tomaz, 20.  “Não tinha espaço para andar, dançar ou até mesmo respirar”, é como a universitária descreve o momento que esteve dentro do Mercado. Segundo ela, os paredões de som posicionados por foliões nas ruas laterais foram uma segunda opção para quem queria fugir da lotação. “Onde estavam os paredões, não tinha tanto tumulto e, aparentemente, bem mais calmo, completa.
 
Além do tumulto, também foram relatados casos de assalto e assédios. Zé Filho comenta que mesmo se tivessem recebido todo o aparato público, os resultados seriam os mesmos. "Existiu furto? Existiu. Existiu assédio? Existiu. Mas isso acontece em toda Fortaleza. A toda hora uma mulher é morta, existe homofobia e a gente queria ser um Carnaval de resistência e diversidade, mas vimos que não dá mais", desabafa. Ele ainda disparou que, apesar de não ter intenção de culpar ninguém, pessoas "escrotas" acabam com qualquer festa. "A gente quer não só apoio, mas também a conscientização das pessoas", finaliza.
 
A reportagem procurou a Prefeitura de Fortaleza para saber sobre o apoio público que não teria sido dado à organização do Glitter, e também pediu uma posição sobre a decisão do grupo de deixar o Pré-Carnaval. Não houve retorno até a publicação desta matéria.
 
Confira vídeos do primeiro dia do evento:
 

DANIELBER NORONHA | MATHEUS FACUNDO