PUBLICIDADE
Carnaval
carnaval em fortaleza

Damas Cortejam e Luxo da Aldeia. Resistência e folia nas últimas apresentações

Os dois blocos fizeram suas últimas apresentações no Ciclo Carnavalesco de Fortaleza na tarde desta segunda-feira, 12

21:35 | 12/02/2018

(Foto: Tatiana Fortes/ O POVO)

No penúltimo dia do Ciclo Carnavalesco de Fortaleza, os blocos Luxo da Aldeia e Damas Cortejam movimentaram uma multidão de foliões na Praça da Gentilândia, no Benfica. Somadas, as apresentações do blocos — as últimas no Ciclo — duraram quase cinco horas. O clima de despedida, porém, não tirou a alegria de quem estava em pleno pique de festa. Fantasiados ou não, brilhosos ou não, homens, mulheres e crianças curtiram até o fim.

Tocar pela primeira vez na programação oficial do carnaval da Cidade foi, para a Fernanda Farias, do Damas Cortejam, um ato de resistência. De mostrar para a maior quantidade possível de pessoas, segundo ela, que “podemos cantar uma música que não precisa objetificar o nosso corpo para ser uma música boa de ser ouvida”. E completou, definindo o objetivo do grupo: “Quisemos propor um espaço de luta, de resistência e de folia”.

Nos últimos dois anos, as Damas Cortejam se apresentavam somente no Pré-Carnaval de Fortaleza, sempre destacando pautas feministas em suas apresentações. Juliana Machado, 31, outra integrante do grupo, disse que, exatamente por essa questão, foi importante expandir as performances para além do Benfica, chegando, pela primeira vez, ainda no Pré, ao polo de lazer da avenida Sargento Hermínio: “As pessoas não estão acostumadas a ver esse discurso (feminista) em cima de um palco. A ver tanta mulher em cima de um palco”.

O carnaval de resistência da Gentilândia também foi espaço para a fotógrafa Marília Oliveira, 33, expressar o que ela pensa sobre lugar de fala. Vestida de “satanáries”, um híbrido de “satanás”, o diabo, e “áries”, o signo do horóscopo, ela disse que “é importante a gente não perder de vista nosso lugar de privilégio na hora de escolher a fantasia e não usar as minorias oprimidas como motivo de chacota. Eu me aproprio de uma coisa que é minha, que nasceu comigo. Faço chacota de mim mesma”.

Depois de fazerem muita gente pular, dançar e cantar as mais clássicas composições cearenses, os integrantes do Luxo da Aldeia agradeceram a presença marcada dos foliões e pediram para que todos estivessem sempre atentos ao bem-estar uns dos outros, principalmente num dos momentos mais esperados da apresentação, que foi o “despenca” — onde todos se agacharam por um tempo e depois se levantaram de uma só vez.

Clique na imagem para abrir a galeria

LUANA SEVERO