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Saiba quem é a pianista brasileira Eliane Elias, premiada no Grammy 2022

A brasileira Eliane Elias, natural de São Paulo, venceu a categoria "Melhor Álbum de Jazz Latino do Ano" do Grammy 2022 junto com Chucho Valdes e Chick Corea
19:08 | Abr. 04, 2022
Autor Clara Menezes
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Tipo Notícia

Em meio a uma premiação dominada por artistas de língua inglesa, uma brasileira ganhou espaço na cerimônia do Grammy 2022, que aconteceu no último domingo, 3 de dezembro. A paulistana Eliane Elias venceu a categoria “Melhor Álbum de Jazz Latino do Ano” pelo disco “Mirror, Mirror”, que gravou ao lado do pianista cubano Chucho Valdés e do tecladista estadunidense Chick Corea (1941 - 2021).

Em suas redes sociais, ela escreveu: “Estou emocionada por receber o Grammy de ‘Melhor Álbum de Jazz Latino do Ano’. Os duetos com Chucho Valdés e Chick Corea têm um significado muito especial para mim e compartilho essa honra com eles. Obrigada a todos os envolvidos na realização de ‘Mirror, Mirror’. Estou honrada e grata”.

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A pianista já tinha ganhado a mesma categoria na edição de 2016 com “Made In Brazil”. Esse trabalho chegou a ser indicado a “Melhor Engenharia de Gravação”. Mas esses não são os únicos reconhecimentos que ela obteve em um dos maiores eventos internacionais da indústria fonográfica. Em 1996, foi indicada a “Melhor Solo de Jazz Instrumental”, por um dueto com Herbie Hancock; em 2012, a composição “What About the Heart” disputou em “Melhor Música Brasileira”; e, em 2017, venceu o Grammy Latino (edição do prêmio que reconhece a produção musical de latinoamericanos) na categoria “Melhor Álbum de Jazz Latino”, com “Dance of Time”.

Com uma carreira estabelecida no exterior há décadas, Eliane Elias deu seus primeiros passos quando ainda era uma criança, aos sete anos. A influência veio da família, porque sua mãe, Lucy, também era uma pianista clássica. No início da adolescência, iniciou seus estudos formais no Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam). A escola de música popular brasileira e jazz, que é uma referência no Brasil, é dirigida pelo músico Amilton Godoy, um dos membros do Zimbo Trio.

Aos 17, começou a se apresentar com composições autorais. Mas, naquela época, não tinha disponibilizado suas músicas próprias em um disco. Em 1981, decidiu firmar residência em Nova York, nos Estados Unidos, depois de sair em turnê com o baixista porto-riquenho Eddie Gomez. No começo da década, participou de uma banda, com quem gravou o primeiro álbum. Ela também trabalhou com o trompetista estadunidense Randy Brecker. Posteriormente, os dois se casaram e tiveram Amanda Brecker, artista que trilhou o caminho da música e se tornou cantora e compositora. Eles, entretanto, se separaram no início de 1990.

Em sua trajetória, Eliane Elias reúne mais de 30 álbuns em suas discografia. Alguns dos destaques, que estão disponíveis nas plataformas de streaming de música, são: “Amanda” (1986), “So Far Close” (1988), “A Long Story” (1991), “On The Classical Side” (1993), “The Three Times Americas” (1996), “Kissed By Nature” (2002), “Bossa Nova Stories” (2008), “Swept Away” (2012), “Made in Brazil” (2015), “Dance of Time” (2017) e “Love Stories” (2019).

Um dos projetos mais recentes de Eliane foi “Mirror, Mirror”, com Chucho Valdés e Chick Corea. Entre as sete músicas, há “Armando’s Rhumba”, “Esta Tarde Vi Llover”, “Blue Bossa”, “Corazón Partío”, “Mirror Mirror”, “Sabor A Mi” e “There Will Never Be Another You”. O lançamento aconteceu meses depois da morte de Chick Corea, que faleceu em fevereiro do ano passado por causa de um câncer. Na época, ela fez uma homenagem ao artista em suas redes sociais. “Eu adorava a forma como ele compunha e tocava e transcrevi muitos de seus solos durante a minha adolescência”, lembrou.

Os dois se conheceram em São Paulo, no fim da década de 1970, após um show de dueto do pianista com Gary Burton. Eles foram a um restaurante e passaram a noite inteira tocando piano. “Alguns anos depois, me mudei para Nova York, e Chick foi tão gentil em escrever cartas em meu nome para a Imigração dos Estados Unidos, que foram muito benéficas para o meu processo de imigração. Eu estava tão grata por isso. Poder ficar em Nova York mudou minha vida”, afirma.

“Ao longo dos anos, Chick e eu nos encontramos várias vezes na estrada. Nesses momentos, muitas vezes conversávamos sobre gravar juntos algum dia e fazer duetos de piano. Finalmente, quando nossos horários permitiram, conseguimos fazer isso acontecer”, disse sobre o processo de criação do álbum “Mirror, Mirror”.

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