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Cinco anos sem Sérvulo Esmeraldo: trajetória e legado do multiartista

Levantamento realizado pela Central de Jornalismo de Dados do O POVO - DATADOC traça as principais informações da múltifacetada carreira de Sérvulo Esmeraldo
20:02 | Fev. 02, 2022
Autor Lara Montezuma
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Tipo Notícia

"Parte o guerreiro do Cariri, voa o menino do Crato". As primeiras linhas da reportagem do O POVO, publicada no dia 1º de fevereiro de 2017, anunciavam a morte do multiartista Sérvulo Esmeraldo ocasionada por complicações de um acidente vascular cerebral (AVC). Após anos de contribuição para o cenário artístico nacional e internacional, o cearense deixou um vasto legado para familiares, amigos e admiradores. 

No mês que marca cinco anos desde da partida de Sérvulo, a Central de Jornalismo de Dados do O POVO - DATADOC levantou os dados sobre os países e estados brasileiros onde o artista fez exposições individuais e coletivas. Assim como é responsável pelo resgate histórico das principais esculturas na cidade e cobertura do O POVO ao longo dos anos sobre o artista.

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Escultor, gravador, ilustrador e pintor são alguns descritivos que tentaram captar a potência artística executada por Sérvulo Esmeraldo ao longo de uma vivência de experimentações e transformações. O ponto de partida da trajetória é no Crato, município cearense, em 1929. O conhecimento do universo da arte aconteceu por meio das brincadeiras de criança na Fazenda Bebida Nova, propriedade da família.

Sérvulo chegou a Fortaleza anos depois, onde veio estudar no Liceu do Ceará - após ser expulso de dois colégios. A partir de 1947, ele integra a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP) e dedica o trabalho à xilogravura. Com o desejo de cursar Arquitetura, decide ir a São Paulo, onde trabalha no jornal Correio Paulistano. Dentro da redação, exerceu as funções de ilustrador, repórter e crítico de arte. Em 1951, trabalhou na montagem da I Bienal Internacional de São Paulo.

O gravador fundou o Museu de Gravura no Crato, no ano de 1956, para, então, alçar voo com destino a outros continentes. Uma exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) resultou em uma bolsa de estudos na Escola Nacional Superior de Belas Artes em Paris, na França. O país estrangeiro foi casa por 25 anos e possibilitou múltiplas experimentações criativas. O artista ganhou projeção internacional na década de 1960, a partir da série de obras "Excitáveis", parte do movimento de arte cinética.

Sérvulo retorna de vez para Fortaleza em 1980, quando começa a se dedicar à arte pública. Produziu esculturas com planos dobrados, com chapas de aço, investigou e explorou técnicas que trouxessem movimento às obras. Atualmente, a capital cearense conta com 40 peças de seu acervo. O artista foi eleito como melhor escultor pela Associação dos Críticos de Arte em 1982. Ao longo dos 88 anos, Sérvulo fez 57 exposições individuais e 145 coletivas. Suas coleções passaram por países como Brasil, França, Chile e Itália.

Em parceria com a Fundação Demócrito Rocha, foi idealizador e curador da Exposição Internacional de Esculturas Efêmeras nos anos de 1986 e 1991. Tantos foram os feitos que torna-se difícil constatar a dimensão e importância das obras de Sérvulo. Quem sintetiza, de maneira justa, é o artista Estrigas (1919 - 2014) em depoimento concedido ao O POVO em 2008: "Sérvulo Esmeraldo é um artista que tem um lugar garantido na história da nossa arte, do Brasil e do Ceará".

Projeto de Implantação do Acervo Documental de Sérvulo Esmeraldo

O Instituto Sérvulo Esmeraldo (ISE) desenvolveu um projeto para organizar, preservar e divulgar as criações do cearense. O artista deixou mais de 10 mil documentos gráficos, fotografias, maquetes de esculturas, entre outros materiais. A iniciativa busca sistematizar informações no banco de dados no site do ISE para garantir maior acessibilidade do público.

Com contribuição de Sérgio Falcão

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