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Presidente da Fundação Palmares cria "acervo da vergonha" para livros

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, anunciou a medida após ser impedido judicialmente de retirar os livros do acervo
Autor - Clara Menezes
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- Clara Menezes Autor
Tipo Noticia

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, criou a sala “acervo da vergonha” para colocar os livros que define como “marxistas e bandidólatras”. Situação acontece após ele ter sido impedido judicialmente de excluir 300 obras do acervo.

“O Acervo da Vergonha está recebendo um tratamento VIP, como nunca houve nos trinta anos de gestões de esquerda. Trata-se de bibliografia imprestável para a Palmares. Mas somos civilizados! Não queimamos livros nem estátuas”, escreveu nas redes sociais.

“Para montar o Museu da Vergonha, na nova sede da instituição, precisarei dos livros vergonhosos e desviantes. Eles são o legado do passado sombrio da Palmares”, continua.

Entre os autores que se tornaram alvos da exclusão, estão Aldo Rabelo, Antonio Gramsci, Marilena Chauí, Karl Marx, Simone de Beauvoir, Lênin, Max Weber, Celso Furtado, Carlos Marighella e Marco Antônio Villa.

A ação é uma consequência do que ocorreu em junho deste ano, com a publicação do “‘Retrato do Acervo: A Doutrinação Marxista na Fundação Cultural Palmares (1988-2019)”.

O relatório tinha o objetivo de explicar a retirada de centenas de obras do acervo, apontando que há conteúdos “marxistas” e “militantes” que não condizem com a ideologia da instituição. A mesma ideia foi reforçada para criar a sala.

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Movimentos negros enviam carta à ONU denunciando presidente da Fundação Palmares

DIREITOS HUMANOS
14:14 | Jul. 23, 2021
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Tipo Notícia

Nesta quinta-feira, 22, organizações do movimento negro brasileiro denunciaram à ONU (Organização das Nações Unidas) o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Sérgio Camargo, por violação de direitos humanos.

O documento foi assinado pela Coalizão Negra por Direitos, entidade que reúne 200 grupos e coletivos negros, e acusa Camargo de promover desmonte institucional da entidade e do patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro. O relatório apresentado destaca comportamento ríspido, histórico de práticas violadoras de direitos humanos, ataques a jornalistas e cerceamento à liberdade de expressão.

Procurado pela imprensa , Camargo não se pronunciou sobre o assunto. O apelo às Nações Unidas acontece poucos meses após a própria ONU enviar uma carta ao governo brasileiro alegando que o atual presidente da instituição é "inapto" para ocupar o cargo.

Em uma gestão marcada por polêmicas, Camargo chegou a dizer que o movimento negro é uma "escória maldita formada por vagabundos". Em outros momentos, questionou o legado de figuras históricas da cultura afro-brasileira, como Zumbi dos Palmares: "falso herói", disse. Ações como essa, segundo o relatório, configuram o esvaziamento do histórico de lutas e contribuições dos movimentos negros na construção da sociedade brasileira.

"A denúncia da Coalizão demanda frear o comportamento improbo e ilegal de Sérgio Camargo, tendo em vista os frequentes ataques aos direitos humanos", defendeu o documento.

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Booktokers: conheça os influenciadores do TikTok que incentivam a leitura

Influenciadores de livros
19:30 | Jul. 19, 2021
Autor Clara Menezes
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Clara Menezes Autor
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Tipo Análise

"E minha amiga que é doida pelo Lula e tá casada com um bolsominion? Ele não só é bolsominion, como tem a família inteira de direita, viciada no Bolsonaro. Ela é esquerda, lulista e tem a família toda petista. Eles se conheceram em uma festa antes da pandemia e, na época, não sabiam que eram tão diferentes. Só descobriram depois, quando estavam apaixonados. Mesmo assim, decidiram se casar". É dessa maneira que começa um dos vídeos mais famosos de Patrick Torres na plataforma TikTok. A história pode até parecer uma fofoca, mas, na verdade, o estudante de medicina e também influenciador digital adaptou o enredo do clássico "Romeu e Julieta", de William Shakespeare, para a realidade brasileira.

Ele tem uma dezena de outros conteúdos neste mesmo formato, que foi denominado de "fofoca literária". No total, reúne mais de dois milhões de curtidas e 220 mil seguidores em seu perfil @patzzic. Na contramão do baixo índice de leitura no Brasil, os "booktokers" ganham espaço na rede social do momento por falar sobre livros. A linguagem leve e descontraída se une à literatura para atingir, principalmente, um público jovem. Esses consumidores são diversos: gostam de romance, fantasia, ficção científica, clássicos e tudo aquilo que dialoga com o universo leitor.

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"Eu estava em casa lendo bastante, vendo alguns filmes e, às vezes, queria criar algumas coisas. Fui para o TikTok porque tem várias ferramentas interessantes para você criar vídeos. Eu criava e mandava os links só para alguns amigos íntimos para eles assistirem. Só que, numa dessas, acabou que muita gente viu e pediu para fazer mais", explica Patrick. Com um processo orgânico e sem nenhuma divulgação, seus vídeos viralizaram. Agora com um dos maiores canais "booktok" do País, ele costuma indicar grandes títulos da literatura nacional e internacional.

Para Patrick, a rede social contribui para aproximar potenciais leitores das obras. Apesar de já serem introduzidos aos clássicos nas escolas, os usuários têm uma visão mais acadêmica do conteúdo. "Estar imerso no dia a dia da internet, de certa forma, contribui para essa sacada que eu consigo ter às vezes e que outros booktokers também têm de falar ao público sobre clássicos de um jeito mais leve. A gente só ganha com isso, porque aproxima obras e leitores em potencial", afirma.

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Esse é um fenômeno que já existia em outras plataformas: blogs, YouTube, Facebook e Instagram são redes cheias de influenciadores sobre livros. Um dos grandes exemplos é Pedro Pacífico, do perfil @book.ster. Entretanto, no TikTok, a veiculação se torna ainda mais dinâmica por causa da maneira em que os conteúdos são dispostos. Os usuários também são mais jovens. "O TikTok é a rede do momento para o público a partir de 10 anos de idade, que vê as recomendações de livros nesta rede. Se você vê algum livro jovem nas listas dos mais vendidos para este público, pode ter a certeza de que veio de gente recomendando ou mostrando no TikTok. O novo 'boom' de Harry Potter no Brasil ano passado, deve-se, em parte, a isso", avalia Bruno Zolotar, diretor de marketing e vendas da Rocco.

Aproximadamente 40% dos parceiros da editora já marcam presença na rede social, que ganhou mais repercussão no ano passado. De acordo com Bruno, a internet tem papel fundamental para o incentivo à leitura. "Não consigo imaginar a indústria do livro hoje, sem o que a internet agregou, que são milhares de pessoas falando sobre livros nas mais diferentes redes e plataformas. Se o espaço na televisão e no jornal é restrito, podemos dizer que, na internet, ele é ilimitado e feito por pessoas que são apaixonadas por livro, que divulgam por amor a leitura. E isso é muito importante para que o livro continue conquistando novas gerações", pontua.

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Do Instagram para o TikTok

Busca por novos leitores
19:30 | Jul. 19, 2021
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Tipo Análise

Diferente de Patrick, Rhayssa Rada, detentora do perfil @minhaestantecolorida, tinha criado primeiro um Instagram com o objetivo de conversar com outras pessoas apaixonadas pela literatura.

"Criei para compartilhar minhas leituras e conversar sobre livros, porque eu não tinha com quem falar sobre eles. Foi algo incrível. Fiz amizades maravilhosas e sempre recebo mensagens de pessoas que, de alguma forma, eu influenciei a ler", comenta.

De acordo com ela, o público que alcançava na rede social de Mark Zuckerberg era quem já tinha alguma proximidade com obras literárias. A diversidade chegou com o TikTok e, depois, com a ferramenta "Reels" no Instagram.

"Nos dois apps o processo de criação requer bastante criatividade. No Instagram, eu tento sempre chamar a atenção para as fotos e convencer o leitor nas resenhas. No TikTok, eu sempre tento ficar ligada nas trends e inovar nos vídeos para prender a atenção das pessoas com mensagens curtas e objetivas", explica sobre a maneira que elabora os conteúdos.

Agora, ela também trata de outras temáticas que envolvem cultura pop: o universo de Harry Potter, os funkos (bonecos colecionáveis) e animes são alguns dos assuntos que gosta e compartilha.

"Na era digital parece que é ainda mais difícil prender a atenção das pessoas em um livro. Por isso a importância de chamar novos leitores. Graças aos vídeos e aos diversos leitores nas redes sociais, isso parece estar mudando", pondera.

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Literatura além dos clássicos

cartola
19:30 | Jul. 19, 2021
Autor Clara Menezes
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Clara Menezes Autor
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Tipo Análise

A influenciadora digital Jéssica Martins (@surtandonasleituras) já tinha um perfil no Instagram que estava parado há algum tempo. Foi com o Tiktok que ela reencontrou o público e agora já detém mais de 30 mil seguidores e 582 mil curtidas. Entre vídeos engraçados, trends e indicações, seu maior foco é romances eróticos.

“Nas duas plataformas, acabo tendo um público que ama vídeos curtos com dicas de livros hots e vídeos divertidos. Mas, sem dúvidas, os meus vídeos mais conhecidos são aqueles que indico livros hot para as pessoas (...). Independente da plataforma, quando termino um livro que amo, já penso: ‘Minha nossa, preciso muito indicar esse livro para os meus seguidores e eles precisam conhecer também’”.

Jess, como foi apelidada nas rede sociais, indica que seu maior objetivo é incentivar a leitura independente do gênero. “Acho muito importante as pessoas saberem que elas podem ler o que quiserem, que tem livros para vários gostos diferentes, que você não precisa se envergonhar por gostar de determinado gênero e não de outros”, defende.

Para ela, o público deve entender os benefícios que a leitura traz para a vida. “Acho que é muito importante usar a internet a nosso favor, nesse mundo tecnológico que estamos. Ao invés de indicar tal livro que amou para uma pessoa, porque não indicar para milhares?! Em algum momento, aquele livros poderão fazer a diferença na vida de pelo menos uma pessoa”.

Sua relação com os livros começou cedo e, como muitos brasileiros que hoje são leitores, lia os gibis da Turma da Mônica na infância. Durante a adolescência, parou com o hábito e só retornou depois, quando encontrou a saga Crepúsculo. “Me encontrei no gênero hot, que amo e que começo a indiar um tempo depois, em um momento de esgotamento que estava no meu antigo trabalho e que precisava, urgentemente, me distrair e ser levada para outro universo através das páginas”, recorda.

Por isso, defende que que as pessoas não devem desistir da leitura, mas persistir até encontrar um tipo que gosta. “A pessoa não deve desistir e, sim, achar um gênero que te faça falar: ‘Nossa, nunca pensei que um livro poderia ser tão bom’, pois a leitura pode transformar vidas, assim como transformou a minha. Os livros são onde me encontro. Se estou triste vou ler um livro feliz e sei que no final ficarei com o coração quentinho e aquele momento de tristeza vai amenizar”.

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Conheça "booktokers"

19:30 | Jul. 19, 2021
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Tipo Análise

Rhayssa Rada - @minhaestantecolorida
Em sua página, Rhayssa compartilha experiências com livros, sua coleção de "funkos" (bonecos colecionáveis) e dicas de como arrumar a estante.

Jess Martins - @surtandonasleituras
Um dos gêneros favoritos de Jess é o "romance hot". Além de indicações de livros que dialogam com a temática, também traz outras obras.

Tiago Valente - @otiagovalente
Um dos mais famosos "booktokers" brasileiros, Tiago Valente sugere, principalmente, livros infanto-juvenis. Ainda produz conteúdos em que relaciona as referências literárias nas músicas de artistas.

Ivana Amaral - @ivanamamaral
No formato do TikTok, Ivana publica resenhas e indicações. Há livros de suspense, romance e conteúdos cômicos sobre literatura.

Patrick - @patzzic
Patrick também é um dos mais seguidos da plataforma. Ele utiliza a linguagem leve da rede social para falar sobre os clássicos, além de trazer curiosidades históricas sobre livros e autores.

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