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Festival de Cannes: Jodie Foster elogia o "cinema feminista" de Almodóvar

A atriz e diretora americana Jodie Foster declarou nesta quarta-feira, 7, em Cannes que viu seu primeiro "cinema feminista" com os filmes de Pedro Almodóvar

16:54 | 07/07/2021
Jodie Foster recebeu Palma de Ouro honorária durante o Festival de Cannes (Foto: VALERY HACHE / AFP)
Jodie Foster recebeu Palma de Ouro honorária durante o Festival de Cannes (Foto: VALERY HACHE / AFP)

A atriz e diretora americana Jodie Foster declarou nesta quarta-feira, 7, em Cannes que viu seu primeiro "cinema feminista" com os filmes de Pedro Almodóvar. Ela, que no dia anterior recebeu a Palma de Ouro Honorária das mãos do cineasta, considerou que o autor de "Dor e Glória" (2019) foi uma figura marcante para ela.

"Almodóvar é muito importante na minha carreira porque representa o primeiro cinema feminista que vi", disse ela em uma palestra organizada pelo festival. "Foi a primeira vez que vi filmes que falavam realmente de mulheres, de dentro da experiência feminina”, acrescentou.

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Para a atriz americana, Almodóvar tem um "grande dom": "esse amor pelas mulheres". Isso o torna uma exceção entre os diretores que não conseguem se colocar no lugar de uma mulher e se perguntar "qual é a complicada e complexa experiência de ser mulher", insistiu.

A filmografia do diretor espanhol, presença habitual na Croisette onde já concorreu seis vezes à Palma de Ouro, mas nunca ganhou, está totalmente relacionada com o universo feminino. Tem "Mulheres à beira de um ataque de nervos" (1988) a "Julieta" (2016), passando por "Volver" (2006) e "Tudo sobre minha mãe" (1999).

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Depois do parêntese de "Dor e Glória" (2019), seu filme mais autobiográfico, o diretor voltou ao seu tema preferido com "Parallel Mothers", recém-filmado e ainda não lançado, sobre duas mulheres que dão à luz no mesmo dia.

Nesta quarta-feira, Foster incentivou as profissionais do cinema a se dedicarem ao trabalho, sejam atrizes, diretoras ou técnicas. "Agora é a hora!", disse a cineasta, para quem existe atualmente "uma consciência, embora as coisas não tenham mudado completamente".

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"É um pouco clichê dizer (para as mulheres) 'contem suas próprias histórias'". Mas "devemos nos perguntar 'é algo que eu carrego comigo?', em vez de tentar agradar os espectadores e produtores", insistiu diante de um auditório lotado.

Questionada sobre a paridade em Hollywood, Foster garantiu que "muitas coisas mudaram". "Quando comecei nessa carreira, não tinha mulheres (...) tinha uma maquiadora e a mulher que olha o roteiro", mas "não via outras mulheres. Isso mudou", concluiu.

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Duas vezes vencedora do Oscar, ela recebeu a Palma de Ouro Honorária na terça-feira, 6, 45 anos depois de pisar pela primeira vez em Cannes com "Taxi Driver" (1976), de Martin Scorsese. "Quem diria que aquela garota se tornaria a artista excepcional que é agora", disse Almodóvar ao entregar o prêmio a ela. Com o público de pé, Foster agradeceu e expressou seu "orgulho de pertencer à comunidade cinematográfica". (Esther Sanchez/ AFP)

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